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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

VAMOS TODOS...

VAMOS TODOS ADORAR
NO MESMO POÇO DE NUVENS
ESTA LUA ÚNICA

TAGAMI KIKUSHA-NI

Tagami Kikusha (1753-1826), foi poeta, pintora e um espírito livre. Depois da morte do marido, Kikusha tinha então 24 anos, preferiu seguir a sua vida de forma independente. Rapou o cabelo e fez-se monja, estatuto que lhe permitia viajar livremente, o que fez a partir daí, um pouco à semelhança de Bashô. Para ambos, as longas jornadas em que se empenharam, eram para além da curiosidade pelo mundo, uma espécie de procura espiritual que lhes permitia prosseguir com a sua arte.
Kikusha estudou poesia, música e pintura. Quase todos os seus poemas eram acompanhados de ilustrações muito simples, como se fossem apenas esboços. Dotada duma energia inesgotável, passou grande parte da sua vida na estrada, estabelecendo relações com outros poetas e dedicando-se a aperfeiçoar as suas artes.

domingo, 25 de abril de 2010

Haiku da Semana

Na tampa de águas da foto, localizada no Yuda Onsen (banhos termais de Yuda), está escrito um haiku brejeiro de Santoka Taneda:
Pricks and pussies
Boiling together
In the overcrowded bath

Via ojisanjake

sábado, 24 de abril de 2010

Sake & Haiku - Santoka Taneda

Santoka Taneda (1882-1940), foi poeta, viajante, e sacerdote Zen. Os seus haiku, são escritos em "free-style", afastando-se tanto da forma, como do conteúdo do haiku tradicional. Por eles passam observações acerca da natureza, da filosofia Zen, da solidão e isolamento (sabi) das suas viagens, da impermanência da vida e... das alegrias do sake.
my life has been a continuous waste
I pour sake
out of it are born my haiku
Na verdade, Santoka debateu-se com problemas de alcoolismo e em 1924, terá tentado suicidar-se colocando-se na frente dum comboio, mas antes do impacto, o condutor viu-o a tempo de travar. Depois do incidente, Sanoka foi levado para um templo Zen nas proximidades, onde permaneceu até ser ordenado sacerdote, optando, no entanto, por uma vida errante, estendendo a sua kasa para que lhe dessem comida e continuando a escrever os seus haiku.
the sky at sunset
a cup of sake
would taste so good
A melancolia e a solidão, permaneceram para lá do sake?
if I sell my rags
and buy some sake
will there still be loneliness

quarta-feira, 21 de abril de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

GODZILLA HAIKU


Um blog divertido de Haiku, muito popular nos Estados Unidos. Tem como tema exclusivo Godzilla. By SAMURAIFROG.

domingo, 7 de março de 2010

Haiku da Semana


"inside the temple
visitors cannot know
cherries are blooming"

Matsuo Basho

sábado, 6 de março de 2010

MATSUO BASHO - O Génio do Haiku

Matsuo Basho (1644-1694), o mais famoso dos escritores Japoneses, sempre escolheu uma vida o mais simples possível, invejando as nuvens, porque podiam percorrer longas distâncias, tendo com elas tudo aquilo de que necessitavam. No centésimo aniversário da sua morte, foi canonizado como divindade (kami) Shinto. Trinta anos depois, a corte Imperial, deu-lhe um estatuto similar. Só ele é considerado haisei, o santo do haiku. Hoje, é reconhecido como um génio. Os haiku são curtos, sucintos e ambíguos, cabendo ao leitor completá-los com as suas próprias imagens e estabelecer ligações através de experiências adquiridas, para ter uma ideia completa do poema. O momentâneo e o eterno estão presentes nos haiku de Basho.
Haiku e Zen estão intimamente ligados. Basho, nunca se tornou monje, mas estudou Zen durante muitos anos, e quando viajava, e fê-lo frequentemente, trazia o cabelo rapado e as roupas da ordem Budista. A sua poesia, está imbuída dos preceitos e ensinamentos do Budismo num grau não encontrado nos trabalhos da maioria dos outros escritores. Tal como o Budismo, a poesia de Basho, leva-nos a procurar a essência, o verdadeiro ser da coisa mais pequena ou mais comum. O haiku, gira á volta das pequenas coisas vivas, insectos, pássaros, rãs, peixes, etc. Mas tem também uma preocupação extrema com as plantas, as rochas, montanhas e rios. O haiku, é um do métodos mais populares entre os Japoneses, para expressarem as suas intuições filosóficas e apreciações poéticas da Natureza. Num sentimento comprimido no mais pequeno número de sílabas, podemos detectar o reflexo da alma Japonesa.
O haiku, incorpora o espírito de Basho, que é o espírito Zen expressando-se em dezassete sílabas. Mas, se pensamos que basta um momento de inspiração e clareza para escrever um haiku, esquecemo-nos que a escolha da palavra certa, aquela que melhor transmita uma imagem, ideia ou sentimento, requer tempo , prática e persistência.. Claro que podemos criar os nossos próprios haiku, sem grandes exigências, "just for fun", como o faz Will Fergusson em "Hokkaido Highway Blues":
"Early spring-
Blossoms fall like rain.
Pass me another beer, eh?"
Mais sobre Basho no Banzai, aqui.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Haiku da Semana

"stars in my eyes
wishing to view blossoms
on weeping cherries"


Matsuo Basho

domingo, 11 de outubro de 2009

MATSUO BASHO- WABI-SABI


" Autumn - even
birds and clouds
look old "

BASHO, chegou a Edo em 1672, com 28 anos, perseguindo o sonho de se tornar poeta, desde cedo tendo revelado grande inclinação para as lides literárias. Em 1680, um dos seus admiradores, colocou-lhe à disposição uma pequena cabana isolada, perto do rio Sumida comprometendo-se também a fornecer-lhe comida e vestuário. O poeta, seguindo uma longa tradição no Japão, dedicou-se então, a uma vida de calma contemplação, retirada do mundo. Foi nesse abrigo que iniciou a prática da meditação ZEN e mudou o seu nome de Tosei para BASHO, em homenagem a uma bananeira (basho), que um dos seus discípulos teria plantado no pequeno jardim do seu modesto abrigo. As folhas da planta comparava-as a "the injured tail of a phoenix", as suas flores não são brilhantes, diria, "and as the wood is completely useless for building, it never feels the axe. But I love the tree for it's very useleness."
Os seus HAIKU, poemas de dezassete sílabas (regra que ele nem sempre respeitou), característicos por aquilo a que BASHO chamava KARUMI (lightness), pela presença do desprendimento ZEN (wabi), e dum espirito de pobreza e humildade (sabi), são ainda hoje famosos.
O título da novela de 1964 de Ian Fleming " YOU ONLY LIVE TWICE", vem de um haiku de BASHO muito pouco conhecido:

" You only live twice
Once when you are born
And once when you look death in the face."

Apesar da sua residência fixa, BASHO, escolheu por diversas vezes o caminho do viajante solitário, empreendendo diversas viagens. A sua mais famosa "haiku walk", que se prolongou por cinco meses, deu origem à sua obra prima "Narrow Road to a Far Province".
Despedindo-se dos seus amigos e discípulos, antes de mais uma jornada, compôs aquele que é um dos meus HAIKU preferidos:

" Departing spring_
birds cry,
and in the eyes of fish, tears."

Post Scriptum

A capa da foto, foi criada pelas autoras do blog amigo e recomendado:

re-coverproject.blogspot.com

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