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sábado, 25 de setembro de 2010

O GRANDE BUDA DE KAMAKURA

O Grande Buda de Kamakura, o DAIBUTSU, é uma estátua de bronze monumental representando  AMIDA BUDA, sentado serenamente na posição de lótus, as mãos formando o DHYANI MUDRA, o gesto da meditação.
A estátua, com os seus 13,35 metros de altura e pesando 93 toneladas, ergue-se ao ar livre no Templo Budista de Kotoku-in, nas colinas de Kamakura.
Datando de 1252, o DAIBUTSU, teria estado originalmente albergado no interior do Templo, até um grande tsunami no século XV, varrer toda a estrutura de madeira.
A estátua é ôca, pelo que o seu interior pode ser visitado, o que eu por razões óbvias não fiz.
Não andei cerca de dois quilómetros a pé, debaixo dum sol abrasador, para visitar o Amida Buda como quem visita uma gruta.
Fui para o olhar, na minha busca permanente de serenidade.
Recitando baixinho,versos do poema que Rudyard Kipling escreveu a propósito do mesmo local, em 1901.
As borboletas cinzentas de riscas coloridas
Que esvoaçam sob os olhos do Mestre
Ele que está para além dos Mistérios
Mas os ama em Kamakura.

E a vontade do orgulho liberta
Não tendo nem credo nem padre
Possa sentir a alma de todo o Oriente
À sua volta em Kamakura.

Através do ar carregado
Chega o trovão dos tambores Tibetanos
E o entoar de "Om mane padme hums"
A um mundo de distância de Kamakura.

Um espectáculo para turistas, uma lenda contada
Um enorme corpo de bronze e ouro
Tanto e tão pouco, tu deténs
O significado de Kamakura?

Mas quando a oração da manhã está feita,
Pena que aqui voltas ao conflito e ao comércio
É Deus feito à imagem humana
Não mais perto do que Kamakura?

-Rudyard Kipling, "And there is a Japanese idol at Kamakura"

O meu obrigada á e ao Vítor, a quem devo a tradução intrincadíssima do poema, que não publico na totalidade.
Fotos: BANZAI

domingo, 5 de setembro de 2010

KITSUNE - AS RAPOSAS MENSAGEIRAS DE INARI

No Parque de Ueno, em Tóquio, fica o Gojo Shrine, um dos milhares de templos Shinto dedicados a INARI, o kami (deus/deusa) da fertilidade, da agricultura, do arroz, da indústria e do sucesso nos negócios. O culto de INARI, representada ora como mulher, ora como homem ou como criatura andrógina, é muito popular no Japão, onde pelo menos 32.000 templos lhe são dedicados. Curiosamente, grandes companhias como a marca de cosméticos Shiseido, incluem pequenos templos para INARI nas suas instalações, e o grande edifício da Shiseido em Ginza, é totalmente vermelho, a cor utilizada nas torii (portas) que dão acesso a estes templos. 
A entrada no templo é um momento mágico. Caminha-se devagar por baixo das fileiras de torii, com as árvores a sombrearem o caminho...
...até chegarmos aqui.

Duas raposas (kitsune) consideradas as mensageiras de INARI, guardam a entrada do templo.
São adornadas com estes bibes, e aqui, até as EMA, as plaquinhas de madeira que se penduram nos templos com pedidos aos deuses, são enfeitadas com raposas.
Lavei as mãos antes de prestar a minha homenagem a INARI...
E visto daqui tudo me parece agora revestido da natureza dos sonhos...

sábado, 19 de junho de 2010

See you at Yasukuni...

Foi numa manhã de calor intenso que visitei o YASUKUNI SHRINE em Tóquio. O templo ocupa com os seus diferentes edíficios uma área considerável, imersa numa frescura verde, sombria e solene.
 Logo á entrada, fica a OTEMIZUSHA (a fonte de purificação principal). Toda em granito, foi uma oferta feita ao templo em 1940 por americanos residentes no Japão, pesa mais de 18 toneladas. Antes de prestarmos as nossas homenagens no templo principal devemos lavar aqui as mãos e a boca. O YASUKUNI que significa literalmente  "peaceful country", é talvez um dos memoriais de guerra mais controversos em todo o mundo.
 Nele estão "enshrined" ou deificados cerca de 2.500.000 KAMI (almas / espíritos), que deram a vida pelo Imperador. A lista inclui mortos em conflitos desde 1853 e, para além de soldados, membros da família imperial, mulheres que participaram de algum modo em esforços de guerra, e civis como os passageiros e tripulação do navio hospital AWA MARU, e as 767 crianças, evacuadas de Okinawa no TSUSHIMA MARU afundado pelo submarino USS BOWFIN em Agosto de 1944, cuja tripulação só 20 anos depois soube que o navio transportava crianças. A grande controvérsia reside no facto de em 1978, 1068 almas consideradas criminosos de guerra, alguns condenados à morte por tribunais das forças aliadas no final da II Guerra Mundial, entre os quais Hideki Tojo, Primeiro Ministro e Ministro da Guerra na altura, terem sido secretamente "enshrined" em Yasukuni. Desde 1978 que o Imperador HIROHITO recusou visitar o templo até á sua morte em 1989, e as recentes visitas de figuras públicas como as de JUNICHIRO KOIZUMI de 2001 a 2006 são sempre acompanhadas de acesa polémica sobretudo por parte de Chineses e Coreanos.
Nada pacífico é também o museu de guerra nas instalações do templo. O YUSHUKAN foi construído em 1882, o seu nome retirado dum ditado "a virtuous man always select to associate with virtuous people". O museu inclui várias peças de armamento incluindo o famoso caça ZERO, e dedica uma secção aos KAMIKAZE. Para os apoiantes do Yasukuni o museu é um símbolo do glorioso passado militar do Japão, aqueles que se lhe opõem dizem ser um símbolo de um passado brutal e opressivo.
Os soldados, especialmente os muito jovens pilotos TOKKOTAI - Força Especial de Ataque, que pegavam muitas vezes no relógio de mesa e o paravam numa tentativa desesperada de travar o avanço inexorável do tempo a caminho da sua morte, costumavam dizer " Encontramo-nos no Santuário de Yasukuni."
Durante a II Guerra, as pétalas caídas das flores de cerejeira no YASUKUNI representavam os soldados que davam a sua vida pelo Imperador e transformavam-se assim nas suas almas metamorfoseadas. Uma única flor de cerejeira era pintada em cor de rosa sobre fundo branco, de ambos os lados do avião TOKKOTAI, e em Abril de 1945 alguns pilotos partiram para o seu voo final com ramos de flores nos capacetes e uniformes. Muitos liam MIYAZAWA KENJI e sublinhavam a passagem "... que chegue o mais depressa possível o dia em que receberemos de bom grado um mundo em que não tenhamos que matar inimigos que não podemos odiar..."

domingo, 21 de março de 2010

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Amazonas no Templo


Lindas, estas amazonas japonesas num torneio de tiro ao alvo, celebrado tradicionalmente num Templo de Quioto.

A face do Buda

Esta face dum Daibutsu (Grande Buda) foi, felizmente, preservada no Templo Kanei-ji em Ueno, Tóquio. O corpo deste Daibutsu foi severamente danificado no terramoto de 1923, e o que restou do corpo e do pedestal foi utilizado durante a II Guerra Mundial para fabrico de armas. Nessa altura existia uma lei chamada "Metal Aquisition Law", que ordenava que se entregassem todos os objectos de metal em prol de mais armamento. O Buda original tinha 3,6 metros de altura.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Árvore, a Auto-Estrada e o Templo




A Hamada Expressway, passa por cima do Templo de Josen-ji, e um dos enormes pilares de suporte, teve que ser construído nos terrenos do Templo. A questão foi resolvida sem querelas ambientalistas, de forma satisfatória para ambos os lados, a fusão perfeita da urbanidade na natureza. Aplausos do Banzai!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Templos e Raposas




INARI, é o kami (Deus) Japonês ligado à fertilidade, ao arroz, á agricultura e aos negócios. É uma figura popular tanto em templos Shinto como Budistas. As raposas (kitsune), são consideradas mensageiras deste kami, e um par de kitsune guarda, por norma, a entrada dos templos dedicados a Inari. Destes, o mais antigo e famoso é o Fushimi Inari em Quioto, cuja cor predominante é o vermelho.

domingo, 17 de janeiro de 2010

ICHIKI SHRINE


O Templo de Ichiki, é dedicado a um Kami ou divindade com outra história curiosa, e um nome dificil, ICHIKISHIMAHIME. De acordo com antigos mitos, esta teria nascido duma disputa entre Amaterasu e Susanoo. Susanoo, mastigou as jóias de Amaterasu e cuspiu cinco rapazes, Amaterasu, mastigou a espada do irmão e cuspiu Ichikishima e as suas duas irmãs. As raparigas foram levadas por Susanoo, enquanto os rapazes ficaram com Amaterasu. Um deles é tido como o mítico ancestral da Linhagem Imperial Japonesa.
A imagem dos dragões e do Monte Fuji, no interior do Templo, é símbolo de Boa Sorte.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Buda gigante de Ushiku


O USHIKU DAIBUTSU em Ibaraki, com os seus 120 metros de altura, pode não ser o Buda mais famoso do Japão, mas é uma visão espantosa.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Nirvana

Alguns templos budistas do norte do Japão, exibem "living mummies" chamadas sokushinbutsu. Os corpos preservados são de monges ascéticos que voluntáriamente decidiram mumificar-se na esperança de alcançar o Nirvana. Para tal, os monges sujeitavam-se a um longo e duro processo que constava de três passos. Primeiro, durante 1000 dias seguiam uma dieta de nozes e sementes enquanto um rigoroso treino físico os levava a diminuir a gordura do corpo. Nos 1000 dias que se seguiam comiam apenas cascas de árvores e raízes em quantidades progressivamente diminutas. No final bebiam apenas chá feito com seiva de uma árvore a "urushi", esta substância venenosa usada no fabrico das taças lacadas japonesas, ajudava a eliminar fluídos corporais. Para mais o chá era confeccionado com água duma nascente sagrada no Monte Yudono, que hoje se sabe conter um alto nível de arsénico. A junção criava um ambiente livre de germes dentro do corpo e ajudava a processo de mumificação.
Finalmente, os monges retiravam-se para uma cãmara subterrânea, ligada à superfície apenas por um fino tubo de bambu. Ali, meditavam até morrer, sendo então selados no seu túmulo. Mil dias passados eram desenterrados e limpos e se o corpo estivesse bem conservado era considerado que tivessem atingido o estatuto de Buddha, e colocados então no interior do templo. O governo japonês, proibiu a prática da auto-mumificação no século XIX.
Mais sobre estas múmias aqui.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Buda que cura




Ichibata Yakushi é um templo na montanha, localizado entre o Lago Shinji e o mar do Japão. É dedicado ao Buda Yakushi Nyorai, que se acredita ter o poder de curar. Há mais de 8000 estátuas, deixadas por peregrinos de todas as partes do Japão que ali vão fazer as suas preces. Dentro de cada uma, há um pequeno papel onde está escrita a prece individual.
As estátuas de bronze, medem 24cm de altura e representam um guardião de Yakushi Nyorai.

sábado, 14 de novembro de 2009

Curiosidades!

Os Three Wise Monkeys, são uma figura comum no Japão. Kikarazu, o que não ouve o mal, Mizaru o que não vê o mal e Iwazaru o que não fala no mal. Aqui, num pequeno templo em Gion, Quioto, por trás deles, centenas de Sarubobo ( baby monkey), uma espécie de amuletos em forma de boneca sem face.

sábado, 7 de novembro de 2009

O Grande Buda de Kamakura







O Grande Buda de Kamakura, mais conhecido por DAIBUTSU, é uma estátua em bronze datada de 1252, representando AMIDA BUDDHA, o centro do Pure Land Buddism, uma seita com origens na China, mas que se espalhou pelo Japão no século XII. O ensinamento principal é a devoção a AMIDA BUDDHA, expressa em mantras e na sinceridade do coração, que conduzirá os crentes, depos da morte, à Pure Land, onde é fácil atingir o Nirvana.
Depois de ter sobrevivido a terramotos, incêndios e até a um tsunami em 1498, que varreu literalmente o templo de madeira em que inicialmente estava abrigado, o DAIBUTSU, senta-se agora ao ar livre, com uma expressão de perfeita serenidade, na posição de lótus, formando com as mãos o DHYANI MUDRA, o gesto da meditação.
Localizada no Kotoku-in, um templo Budista nas colinas de Kamakura o Grande Buda, foi em tempos visitado por RUDYARD KIPLING que lhe dedicou um poema longo, aqui fica um excerto:

" A tourist show, a legend told
A rusting bulk of bronze and gold
So much, and scarce so much, ye hold
The meaning of Kamakura?"

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Itsukushima Shrine




A Torii (entrada, porta) flutuante do Santuário Shintoísta de Itsukushima ou Miyajima, uma ilha próxima de Hiroshima, é talvez o cenário mais fotografado do Japão a seguir ao Monte Fuji. Embora, infelizmente, nunca tenha ainda conseguido vê-la de perto, consigo perceber porquê. Considerada pela Unesco, Património da Humanidade, faz parte também das 3 "best views of Japan".
A porta, apenas parece flutuar na maré alta, ficando rodeada de lama na maré baixa, e podendo, nessa altura, ser alcançada a pé desde a ilha.
A ilha, é considerada solo sagrado desde tempos imemoriais em que nem mortes, nem nascimentos eram permitidos ali, sendo as grávidas e os doentes transportados para outro local. Pela mesma razão não é permitido cortar árvores nas suas florestas, onde até hoje macacos e veados se passeiam em liberdade. Os veados são considerados pelo Shintoísmo como mensageiros dos deuses.

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