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segunda-feira, 14 de março de 2011

BLOGAGEM COLECTIVA - DIA DA POESIA

As minhas experiências como poetisa são intimistas e desastrosas, por isso, quando acedi a participar nesta Blogagem Colectiva proposta pela Lu Souza Brito do blogue Líchia Doce, e pela Glorinha, foi porque sabia que poderia escolher livremente um poema para publicar aqui hoje, em homenagem a este Dia da Poesia.
A minha escolha recaiu sobre um poeta Português muitas vezes injustamente esquecido: ALMADA NEGREIROS. Esse Almada que foi também escritor e artista plástico, e um dos mentores do Futurismo em Portugal. O Almada que durante os três dias e três noites que durou a revolução de 14 de Maio de 1915, escreveu a tão famosa Cena do Ódio.
Aqui ficam pois, excertos das Confidências de Almada Negreiros, que dedico à minha mãe que há dois anos atrás, mal tinha começado a Primavera, partiu para se juntar ás estrelas...

Mãe!
Em cima das estátuas está o verbo ganhar. Mãe! Será para mim?
Quando passo pelas estátuas fico parado. A olhar para cima das estátuas. Fico parado a subir. Não sei quem me agarra para me levantar ao ar. Agarram-me por debaixo dos braços para me levantar ao ar. Para eu ver o verbo ganhar em cima das estátuas.

Mãe!
Dói-me o peito. Bati com o peito contra a estátua que tem em cima o verbo ganhar. Ainda não sei como foi. Eu ia tão contente! Eu ia a pensar em ti e no verbo saber e no verbo ganhar. Estava tudo a ser tão fácil! Já estava a imaginar a tua alegria quando eu voltasse a casa com o verbo saber e o verbo ganhar, um em cada mão!
Dói-me muito o peito, Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Mãe!
Estou a lembrar-me! Tu já foste a menina loira!
 Eu já fui menino verdadeiro a quem tu davas de mamar!
Eu já estive contigo na terceira oleografia!
Lembro-me exactamente! Quando tu me beijavas, o Sol não doía tanto na minha pele!
Mãe!
Estou a lembrar-me!

Texto de Almada Negreiros
Imagem: Almada Negreiros

terça-feira, 8 de março de 2011

BLOGAGEM COLECTIVA - UM ANO DE JUBIART

Este post tenta enquadrar-se na Blogagem Colectiva proposta pela Bia como comemoração do aniversário do JUBIART. E digo tenta, porque eu nunca estaria à altura de abordar o tema escolhido, A Amazónia e Seus Povos. Claro que podia investigar e com facilidade copiar da internet uns quantos factos, dados, fotos, mas não falaria com o coração...
Eu não conheço a Amazónia, da mesma forma que não conheço o Rio de Janeiro, nem Niterói, nem São Paulo, nem Curitiba, nem Cachoeira de Minas, nem Belo Horizonte, nem Ubatuba, nem Tocantinópolis. O "meu" Brasil é um país idealizado, onde a praia de Itapuã, imortalizada por Vinicius, fica em todos os sítios onde moram os meus amigos. Na minha imaginação, a Bia, faz lembrar uma personagem dum romance de Jorge Amado...gentil, colorida, com um sorriso do tamanho da lua, uma cozinha com cheiro a café e bolo de fubá, licores com nomes mágicos como jenipapo e jabuticaba espreitando na prateleira.
E claro, a Bia só podia morar numa terra com um nome musical, Tocantinópolis, que eu imagino como um paraíso calmo com ruas ladeadas de jacarandás, quintais com pés de laranja-lima e calçadas onde circulam iguanas, porque no meu Brasil sonhado, há macaquinhos a entrarem pelas janelas e pássaros com tantas cores que parecem acabadinhos de pintar por alguém que quis imitar uma fantasia de Carnaval.
No meu Brasil, a Bia e todos os meus amigos, falam o linguajar dos pássaros utilizando palavras e sons que parecem mantras: acarajé, apinayé, açaí, babaçu, guarumã, orixá, pachiúba, vatapá.
E se eu soubesse, inventava com tudo o que imagino e não conheço, um samba-enredo, para dedicar hoje à Bia, a todos os meus amigos Brasileiros, e a Vinicius, como este da escola Império Serrano:

"CANTAR! É PRECISO CANTAR!
APLAUSOS NO SEU DESPERTAR!
COM A BENÇÃO DE PAI OXALÁ!
VININHA, VELHO, SARAVÁ!..."

PARABÉNS QUERIDA BIA!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

DANÇANDO COM A DIFERENÇA - BLOGAGEM COLECTIVA

Este post está incluído na Blogagem Colectiva proposta pela Aleska do Diários de Bordo e pela Pandora do Blogue Uma Pandora e Sua Caixa.

"A deficiência para mim não interessa. O que me interessa é a capacidade das pessoas. A deficiência para mim não é nada."
HENRIQUE AMOEDO
A primeira vez que viu uma pessoa diferente dançar, Henrique Amoedo não teve dúvidas do seu destino - trabalhar a partir desse momento. DANÇANDO COM A DIFERENÇA começou no Brasil, em Portugal existe há alguns anos sob a alçada da Associação dos Amigos da Arte Inclusiva.
Em palco, um confronto directo com a questão da diferença. O elenco conta com artistas portadores de trissomia 21, paralisia cerebral, espinha bífida, e ainda dançarinos que não apresentam nenhuma deficiência, de outro modo, estariam a reproduzir o preconceito.
Assim, em palco a união dos corpos, das mentes - o modelo da verdadeira inclusão. Dentro do elenco também se cresce. O preconceito vai sendo trabalhado e vai-se desvanecendo. O público primeiro sente, depois pensa. E cresce também.
A autoconfiança e a auto-estima, são trabalhadas dentro do grupo. Sobretudo por parte daqueles que têm um grande desafio. Porque são cegos ou porque não podem usar os seus membros. Superado o desafio, nasce um ser, completo, à sua maneira.
Afinal, o que é verdadeiramente a "deficiência" ou a "incapacidade"... Será que "incapazes" são aqueles que param de sonhar? Ou aqueles que param de viver, embora continuem a respirar?

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MANIFESTO

Este manifesto não é um meio para discutir a cultura, a lei, a política e valores de uma civilização. Ainda que diante de inúmeros avanços tecnológicos, da evolução que se radia diante de nossos olhos, nos deparemos com o ser humano mais pobre, pobre em questão de humanidade.
Como dizia a saudosa Oriana Fallaci: "Não me agrada dizer que Tróia está a arder (...). Dizer isto equivale a dizer que as Cassandras falam realmente ao vento, que, apesar dos seus gritos de dor, os cegos continuam cegos, os surdos permanecem surdos, as consciências despertas adormecem rapidamente..."
O mundo volta o seu olhar para a defesa da vida. Em pleno século XXI, o mundo pára para se posicionar face a questões que datam mais de 2000 anos atrás.
A barbárie de outrora presente ainda hoje, a ferocidade escancarada de escarnecimento da carne. A punição desmedida que utiliza a pena de morte por apedrejamento.
Trata-se de um atraso horrível e indecoroso, que para alguns parece banal! Como podemos nos deparar com situações lastimáveis em qualquer que seja o lugar? O que nos resta fazer além de estranhar e indagar sobre os motivos, quais os bons motivos para que um fato vigente seja interpretado e legitimado que explique tamanha crueldade? Haverá explicações para a falta de lucidez, descaso com a humanidade de modo primitivo, feroz e arcaico?
Quem necessita de um "armagedom", se nos basta um punhado de tempo para notar que vivemos já no inferno, em que travestido de satanás está o próprio homem. Que direito de vida resta aos homens, se outros homens ditam o momento de sua morte? Quanta ferocidade descabida o homem ainda pode usar contra o seu semelhante?
Vidas primitivas se extinguiram pela natureza, vidas presentes estão sujeitas a serem extintas de maneira cruel.
Falámos antes de Sakineh, as nossas vozes erguem-se agora por dois jovens, (Ayub, de 20 anos, e Mosleh, de 21), escolheram amarem-se apesar de serem do mesmo sexo, amanhã tudo indica que serão apedrejados. Desta vez não houve, nem haverá petições, grandes notícias ou manifestações.
Poucos terão a coragem de se manifestar, mas a questão essencial mantém-se: barbárie versus humanidade.

Escrito a seis mãos por (Margarida / Lolipop, Lívia Azzi e Hamilton Kubo)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

BLOGAGEM COLECTIVA - 1º ANIVERSÁRIO DO BLOGUE "A VIDA DUMA GUERREIRA"

Antes de qualquer amor vem a paixão. Chega sem prevenir, e tem a força duma enxurrada. A paixão é sempre uma rendição, total, incondicional, a uma pessoa, uma causa, um quadro, um livro, ou...uma paisagem. Há anos atrás, era Verão  e eu apaixonei-me.
Quando desembarquei pela primeira vez no Aeroporto de Narita, em Tóquio, estava longe de pensar que ia encontrar o meu sapatinho de Cinderela, literal e metafóricamente falando. Para mim, a viagem ao Japão era apenas uma peregrinação lógica. Leitora ávida da ficção de William Gibson ( que como diz o Alexandre poderia ser o famoso escritor parente da Nilce), e fã de culto do Blade Runner, eu ia procurar em Tóquio as imagens do futuro. Filmar, fotografar, passear, exactamente o que fazia em todas as outras viagens. E no dia marcado, o avião de regresso estaria à minha espera, e provavelmente não voltaria lá. O Japão era demasiado longe, demasiado caro, demasiado estranho.
Mas não foi bem assim que as coisas correram. E não me perguntem quando é que tudo começou. Poderia ter sido quando vi pela primeira vez o crepúsculo assombrado de néons em Shinjuku, ou quando, numa viela iluminada por lanternas, senti o cheiro acre e fortemente iodizado da comida Japonesa. Na livraria Kinokuniya quando folheei as páginas do meu primeiro livro de Murakami, ou teria sido quando encontrei as sapatilhas que me levaram, como se fossem os sapatinhos da Dorothy no Feiticeiro de Oz, para lá do imaginado, percorrendo territórios oníricos, templos mágicos, passeios à beira do Sumida.
Fosse como fosse, a verdade é que me apaixonei. De modo fatal e irreversível. Perdida entre as lembranças difusas da África que me viu nascer, e a adolescência numa terra que me era estranha, eu tinha, até aí, como a Rachel do Blade Runner, a sensação de alguém a quem tinham sido dadas memórias em retratos desabitados. Todos nós temos a nossa paisagem interior, aquela que nos faz e desfaz, que permanece conosco sempre. A minha é o Japão.
A paixão daquele Verão transformou-se em amor. Um amor tecido com o carinho, a paciência, a lucidez que a paixão não tem. Um amor capaz de sobreviver à distância, à saudade e à ausência.
Quem sabe um dia, o avião de regresso se transforme em abóbora como a carruagem na história da Cinderela, e eu possa ficar...

Um beijo muito especial para a Nilce, minha querida amiga guerreira, pessoa doce e sã de coração, a quem nem as dificuldades esmorecem o sorriso bonito. Parabéns por um ano de blogue! Que seja o primeiro de muitos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

BLOGAGEM COLECTIVA: COMO É QUE SE DIZ...EU TE AMO?

Este texto é uma participação na Blogagem Colectiva - Como é que se diz: Eu te amo? - promovida pelos blogues ACOLHER COM AMOR e DIÁRIO DE UMA PSI

"Está zangado? Tente esmurrar uma almofada. Satisfeito? Dificilmente. Nos tempos que correm as pessoas estão demasiado zangadas para se limitarem a uns quantos murros. O que pode tentar é esfaquear. Arranje uma almofada velha e leve-a para o jardim. Fure-a com uma faca pontiaguda. Uma e outra vez. Espete até a almofada desaparecer e estar a espetar a terra, como se quisesse matá-la por continuar a girar, como se se quisesse vingar por ter que viver neste planeta, dia após dia, sózinho."
Miranda July, No One Belongs Here More Than You
A tradição romântica do amor coloca-o numa espécie de círculo à volta de duas declarações - amo-te/ eu também te amo, ou - amo-te/ não te amo. E para os enamorados, tudo o resto desaparece. Mas para alguns, trata-se dum jogo. É como desfolhar as pétalas dum malmequer. Malmequer...bem me quer...muito...pouco...nada. E no desfolhar da flor, por cada pétala, uma lágrima ou um sorriso, um sonho realizado ou o desmoronar duma vida. As juras de amor, valem o que valem, e a maior parte não resiste a contratempos, diferenças, rotinas inevitáveis, louça suja e peúgas no chão, pequenos detalhes só visíveis quando a paixão deixa lugar ao amor. E os versos da Florbela Espanca, parecem rir-se de nós: "Quem disser que se pode amar alguém a vida inteira é porque mente..."
Mas há, felizmente, aqueles que resistem. Pacientemente regam, adubam, colam pequenos cacos do vaso que, parecendo indestrutível, a dada altura se quebrou. E nesse renovar permanente, nesse construir duma história em conjunto, conseguem olhar-se nos olhos e dizer: Amo-te! E fazer isso soar como uma coisa boa, quente, segura, credível...qualquer coisa que nos dá as boas noites e estará ali amanhã.
O amor faz parte daquilo que completa o Homem. Pode assumir diversas formas, mas se não existir é uma mutilação. Imaginem a sociedade distópica ficcionada por George Orwell no seu famoso "1984". Uma sociedade em que o amor era impossível, clandestino, subversivo, policiado irónicamente pelo Ministério do Amor, que mais do que torturar forçando confissões, tinha como última finalidade abafar qualquer resto de humanidade nos destroços humanos que libertava, por fim incapazes de dizer:
AMO-TE. 

"No meu sonho recorrente, tudo caiu e eu rastejo por baixo dos destroços, durante dias. Apercebo-me que aquele foi o terramoto que abalou o mundo inteiro, destruindo a mais pequena coisa. Mas isto não é a parte assustadora. essa vem quando estou prestes a acordar, e de repente, lembro-me que o terramoto aconteceu há anos. esta dor, este morrer aos poucos, isto é apenas normal. A vida é assim. De facto, dou-me conta de que nunca houve um terramoto. A vida é assim, e eu sou louca em esperar outra coisa."

Miranda July, No One Belongs Here More Than you

Fotos de Nicolas Dumont

domingo, 17 de outubro de 2010

O IMPÉRIO DOS SENTIDOS

Hoje, partilho o mesmo tema com dois amigos que me são particularmente queridos, a Lívia Azzi, do blogue INQUIETUDE DO PENSAMENTO, e o Hamilton Kubo, do PROFUNDO PENSAR. Uma blogagem colectiva nascida dum encontro no espaço virtual, duma ideia espontânea discutida a três, duma vontade de passar para o outro lado do espelho, dando as mãos duma forma real, e despertando os sentidos de todos os que, com um click, acederem a este trio de Impérios. Aviso à navegação - não tenho bolinha vermelha, nem vou pedir o Bilhete de Identidade á entrada, mas este post é PARA ADULTOS.
O Império dos Sentidos, é o título dum filme polémico realizado em 1976 por Nagisa Oshima e baseado num acontecimento real, que teve lugar no Japão do final dos anos 30 - a história da paixão tórrida e  obsessiva entre Sada Abe, uma geisha, e o dono do restaurante em que trabalhava. Uma manhã, Sada, é encontrada a vaguear numa rua de Tóquio, com o pénis do seu amante embrulhado num furoshiki (lenço, pano). No filme, Oshima dá corpo duma forma fascinante, a uma escalada erótica em que todas as fronteiras vão desaparecendo, os amantes cada vez mais isolados dentro do seu próprio prazer, até a tragédia se apresentar como um desenlace inevitável e desejado. Levando bastante mais longe o choque causado quatro anos antes pelo Último Tango Em Paris de Bertolucci, Oshima incluiu no filme, cenas de sexo não simulado, o que teve como consequência proibições de exibição em diversos países. No Japão, o filme nunca foi apresentado sem que os genitais dos actores estivessem obscurecidos ou pixelados. Se as shunga - (versões eróticas das xilogravuras Japonesas produzidas entre os séculos XVII e XX), literalmente "gravuras da Primavera", sendo a Primavera um eufemismo Japonês para sexo - expunham sem restrições os genitalia, mantendo os personagens retratados muitas vezes vestidos, a partir do final da Era Meiji(1868-1912) foram proibidos não os nús, mas a exibição de orgãos sexuais e pelos púbicos. 
Japanese Shunga, Hokusai, 1815 -Via Wikipedia
Curiosidades duma sociedade em que no aglomerado blade-runner de Kabukicho, Shinjuku, Tóquio, uma imensa sinalética de néons, cartazes, fotos, anuncia todas as fantasias, das massagens eróticas a bares de lingerie, dos hostess masculinos aos femininos, dos hand jobs, aos blow jobs...tudo é perfeitamente legal desde que não haja honban, relação sexual propriamente dita...
 FOTO: BANZAI, Kabukicho
"O que é honban?" Perguntei eu.
Shimozawa pareceu surpreendido.
"Não sabes o que é honban?"
"Não."
"É o verdadeiro acto sexual. Inserção do pénis na vagina." respondeu ele sucintamente.
"Não é isso que se faz em todos os clubes de sexo?"
"Não precisamente."
"Bem, se os clientes dos clubes de sexo, não inserem os pénis em vaginas, o que é que andam a fazer com eles?"
in Tokyo Vice, Jake Adelstein
FOTO: BANZAI, Kabukicho
 Os Japoneses são por natureza perfeccionistas, e o sexo não é excepção. O The Manual of Superorgasmic Fellatio and Cunnilingus - with over 400 Photos, ocupou durante algum tempo, o quinto lugar nas vendas da Amazon Japan. Nunca tive o livro na mão, mas suponho que deva ser bastante elucidativo, se os locais essenciais não estiverem cobertos de quadriculados...
Mas são exactamente estes blur, estas sombras, este mistério, este refinamento, que alimentam o meu fascínio pelo erotismo nipónico.
É a ausência de uma luz crua e total de que fala Junichiro Tanizaki no seu "In Praise of Shadows" - "(...) os nossos antepassados criaram um mundo de sombras e no fundo, nas profundezas deste, a mulher como o mais branco dos seres." A face branca da geisha, a sugestão dum sumptuoso kimono apenas entreaberto, o kimbaku das fotos de Nobuyoshi Araki...
"Kimbaku é diferente da bondage Ocidental. Eu só amarro o corpo duma mulher, porque não consigo amarrar o seu coração. Amarrá-la torna-se um abraço." Nobuyoshi Araki
FOTO: NOBUYOSHI ARAKI
Diz-se que as folhas da andrómeda Japonesa, ashibi ou asebi, são tóxicas, de tal forma que, se um cavalo por acaso as mastiga, perde o equilibrio e vacila como se estivesse embriagado. Nos arredores do Templo de Kasuga, em Nara, há uma floresta em que abundam ashibi com centenas de anos. Os veados que por ali circulam livremente, parecem conhecer a natureza tóxica da planta e nunca a tocam. Perdermo-nos num aroma inebriante, sabendo que este pode ser como veneno - esse é o retrato do amor sensual entre um homem e uma mulher. Uma vertigem, um salto no escuro, o salto kierkegaardiano. 
E com "eyes wide shut"...deslizamos em lençóis de cetim, rendidos ao império dos sentidos.
FOTO: NOBUYOSHI ARAKI

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