MUENBOTOKE
A 11 de Março de 2011, um sismo de magnitude sem precedentes...
No ano passado deixei que me lessem a palma da mão por brincadeira. Era parte dum evento num hotel - vinho, queijo e alguém que lia a sina. A mulher que fazia isso, parecia suficientemente agradável, talvez no inicio dos seus quarenta anos, cabelo comprido, negro e encaracolado, uma saia longa vermelha, casaco de couro negro sobre uma blusa púrpura, uma cruz egipcia com uma fita de seda preta segurando-a à volta do pescoço em vez duma corrente.
Com um ar jovial, segurou a minha mão na sua enquanto eu me sentava, focou-a, esticando levemente a palma com um dedo pequeno e fino, e disse uma coisa um pouco estranha.
"Você tem um quadrado no monte de Mercúrio, a sua vida será e tem sido, uma vida excitante, ensombrada pela fatalidade onde esteve e onde há-de ir."
"Será que eu não poderia ter direito a uma leitura ligeiramente mais optimista?" brinquei. Ela riu-se e eu fingi que tinha que me encontrar com alguém, que estava atrasado, e saí.
Eu não preciso que alguém me diga que a minha vida involve fatalidade. Todos conhecemos aquele pequeno e divertido provérbio Budista acerca da nossa condição de seres mortais:
"A causa da morte é o nascimento".
(...)
JAKE ADELSTEIN
TÓQUIO






