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domingo, 2 de maio de 2010

League of the Divine Wind

Edo adquiriu o seu novo nome Tóquio, que significa " Capital do Oriente", em 1868. Durante alguns anos, os dois nomes foram usados. Á medida que os vestígios feudais iam desaparecendo, a capital modernizava-se. Até o método de fixar o tempo mudou, com o Japão a adoptar o calendário Ocidental a 1 de Janeiro de 1873. Os estrangeiros foram chegando com as suas novas influências.
Mas, nem todos abraçaram com entusiasmo as políticas do jovem imperador, definidas pela palavra ishin, normalmente traduzida por "restauração", sobretudo os ex-samurais. Nasceram na altura alguns movimentos radicais, como o Sonno joi, "revere the Emperor, expel the barbarians", ou a League of the Divine Wind, que esperava que rituais de auto-purificação acompanhados duma vida honesta, levariam os deuses japoneses a enviar um kamikaze (divine wind), que expurgasse as más influências estrangeiras. Enquanto isso não acontecia, os membros da Liga, adoptaram medidas mais práticas, como trazer consigo sal purificante, na eventualidade de se cruzarem com alguém vestido com trajes Ocidentais. O dinheiro de proveniência estrangeira era manipulado apenas com...chopsticks.
Correram também rumores acerca dos maleficios dos novos fios telegráficos, pelo que muitos cobriam as cabeças com leques de metal, sempre que passavam perto de algum.
Referências: Tokyo - A Cultural and Literary History, Stephen Mansfield

domingo, 14 de março de 2010

O Fim da Era Meiji

A 30 de Julho de 1912, os jornais anunciaram a morte do Imperador Meiji, que já desde há algum tempo sofria de problemas graves de saúde. Modernização á parte, sendo o seu corpo considerado divino, não era sequer permitido aos seus médicos administrar-lhe injecções. Durante cinco dias não houve música nem dança em Tóquio. O funeral Imperial, teve lugar apenas a 13 de Setembro, e, de acordo com o antigo ritual Shinto, durante a noite. Cinco bois brancos lideravam o cortejo fúnebre, as janelas cobriram-se de branco e negro de modo a assemelharem-se ás lanternas cerimoniais, areia foi espalhada nas ruas para abafar o som das rodas que passavam.
Na novela histórica de 1977, "The Ginger Tree", do escocês Oswald Wynd, a personagem principal comenta acerca das exéquias: "(...) Elaborate though all this was, it was also almost without pomp, the opposite of a state funeral in the West, as though here the object underlying pageantry was silence."
Pouco depois da morte do Imperador, a nação foi surpreendida pelo junshi do General Nogi e da sua esposa. Junshi, era o nome dado ao seppuku (suícidio ritual) cometido pelos samurais, como expressão de lealdade, seguindo o seu senhor na morte. A prática tinha sido abandonada no Japão desde o século XVII.
Mas a atitude dos samurais perante a morte, penetrou fundo a psicologia Japonesa. Morrer isagi-yoku, é um dos pensamentos que acarinham. Isagi-yoku, significa morrer com coragem, sem remorsos, sem relutãncia, em perfeito controle da mente. Os Japoneses odeiam ver a morte ser encarada de forma hesitante ou irresoluta. O espírito do samurai, respirando em si o espírito do Zen propagou esta filosofia mesmo entre aqueles que não foram treinados no caminho do guerreiro.
Pegando em tinta e pincel, o General Nogi escreveu o seu poema de adeus, preparando depois os instrumentos necessários. Depois de ajudar a sua esposa a cortar a carótida, efectuou dois golpes com a espada, um horizontal, o outro vertical, no estomago e no abdomen. Por estranho que pareça, conseguiu ainda voltar a apertar o seu uniforme.
A casa do General ainda existe, dentro do Nogi Shrine, em Tóquio. Num certo dia, duma outra época, outro General, MacArthur, plantou uma magnólia no jardim do templo em memória de Nogi, no sítio onde a roupa ensaguentada do casal tinha sido enterrada.

Fontes: "Zen and Japanese Culture", Daisetz T. Suzuki
"Tokyo: A Cultura and Literary History", Stephen Mansfield
"The Ginger Tree", Oswald Wynd

sábado, 13 de março de 2010

"Japanese Spirit and Western Culture"

A Era Meiji (1868-1912) abraçou o slogan que dá o título a este post, imbuída dum espírito renovador, ambicioso e optimista. Yukio Mishima, um crítico da época, descreve-a assim: "uma dona de casa ansiosa preparando-se para receber convidados, escondendo em armários os artigos de uso comum no dia a dia e deixando de lado a roupa confortável de todos os dias, esperando impressionar os convidados com esta vida imaculada, idealizada, do seu lar, sem uma ponta de poeira á vista". De facto, antigas esculturas fálicas, foram cobertas ou confinadas aos armazéns dos templos, proibiram-se os banhos mistos e a exibição pública da nudez, os fogos na rua e a lavagem de louça no rio. Muitos edíficios tradicionais foram ameaçados de demolição, e até os espectáculos de teatro Noh foram postos em questão. O Japão, depois de anos de clausura, queria modernizar-se e temia que os Ocidentais fizessem troça dos seus hábitos e costumes. Fukuzawa Yukichi, um dos leaders intelectuais da época, declarou que o consumo de carne melhoraria "o físico da nação". A Imperatiz, abandonou o costume de lacar os dentes de preto, dando o exemplo a toda a corte e não só.
Os sinos deixaram de ditar as horas... e Tóquio começava o seu caminho híbrido, uma cidade entre dois mundos.

Referências

"Tokyo - A Cultural and Literary History", Stephen Mansfield
Foto: Tokyo, Nihonbashi, 1872 - Via Old Photos of Japan
Mais sobre o mesmo assunto no Banzai.
Fotos minhas de Nihonbashi.

domingo, 20 de setembro de 2009

Tóquio na Era Meiji



É difícil mas fascinante imaginar o passado de uma megalópolis como Tóquio. Nos primeiros anos da Era Meiji, não existiam ainda carros. Ocasionalmente, viam-se carruagens puxadas por bois, mas estas eram reservadas aos membros da nobreza e família imperial. A primeira linha férrea, foi inaugurada em 1872, e os primeiros candeeiros de rua a gás, surgiram em Ginza em 1874.
Fukuzawa Yukichi, no livro "Western Clothing, Food and Homes", fala da necessidade de familiarize oneself with the reading of time: all people carry a watch in the West to know the time without relying on temple bells as in our country.

Japanese Spirit and Western Culture


O reinado do Imperador Meiji no Japão (1868-1912), foi uma época de restauração e renovação, que sucedeu os longos anos de Shogunato. O Imperador, Filho do Céu, vivia até aí em completo isolamento, no seu palácio de Kyoto. Os primeiros ingleses a conseguirem uma audiência com a mítica personagem, encontraram um adolescente de 15 anos, vestido com um traje pesado de brocado branco, com calças vermelhas de seda que se estendiam por longos metros atrás de si. Os seus dentes estavam escurecidos de negro, o lábio superior dourado, o inferior pintado de carmim; dois arcos perfeitos tinham sido pintados acima das inexistentes sobrancelhas, e as suas faces coloridas de vermelho.
Mas, foi este Imperador menino que entrou em Edo a 26 de Novembro de 1868, com um exército de mil homens disposto a transformar a nação. Edo adquiriu, então o seu novo nome: TOKYO, significando "Eastern Capital".
Sob o lema "Japanese Spirit, Western Culture", práticas associadas a um Japão feudal e pré moderno, foram a pouco e pouco sendo abolidas. O Shintoísmo, foi separado de anos de sincretismo com o Budismo e proclamado religião do estado. Uma das consequências prosaicas do acto foi o facto dos Japoneses passarem a comer carne, quebrando assim as estritas proibições budistas.
Não muito depois do Imperador se ter declarado carnívoro, a Imperatiz deixou de escurecer os dentes com óxido de ferro, como era prática na altura, seguida desde logo por todas as damas da corte. As sobrancelhas deixaram de ser depiladas e a maquilhagem ocidental foi sendo adoptada.
O Imperador, liderou o caminho para uma nova era, cortando o seu topete em 1872 e comparecendo com trajes ocidentais nas cerimónias oficiais.
"It is time for men
Who were born in a land of warriors
It is time for them
To make themselves known" - Imperador Meiji

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