sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

BLOGAGEM COLECTIVA: COMO É QUE SE DIZ...EU TE AMO?

Este texto é uma participação na Blogagem Colectiva - Como é que se diz: Eu te amo? - promovida pelos blogues ACOLHER COM AMOR e DIÁRIO DE UMA PSI

"Está zangado? Tente esmurrar uma almofada. Satisfeito? Dificilmente. Nos tempos que correm as pessoas estão demasiado zangadas para se limitarem a uns quantos murros. O que pode tentar é esfaquear. Arranje uma almofada velha e leve-a para o jardim. Fure-a com uma faca pontiaguda. Uma e outra vez. Espete até a almofada desaparecer e estar a espetar a terra, como se quisesse matá-la por continuar a girar, como se se quisesse vingar por ter que viver neste planeta, dia após dia, sózinho."
Miranda July, No One Belongs Here More Than You
A tradição romântica do amor coloca-o numa espécie de círculo à volta de duas declarações - amo-te/ eu também te amo, ou - amo-te/ não te amo. E para os enamorados, tudo o resto desaparece. Mas para alguns, trata-se dum jogo. É como desfolhar as pétalas dum malmequer. Malmequer...bem me quer...muito...pouco...nada. E no desfolhar da flor, por cada pétala, uma lágrima ou um sorriso, um sonho realizado ou o desmoronar duma vida. As juras de amor, valem o que valem, e a maior parte não resiste a contratempos, diferenças, rotinas inevitáveis, louça suja e peúgas no chão, pequenos detalhes só visíveis quando a paixão deixa lugar ao amor. E os versos da Florbela Espanca, parecem rir-se de nós: "Quem disser que se pode amar alguém a vida inteira é porque mente..."
Mas há, felizmente, aqueles que resistem. Pacientemente regam, adubam, colam pequenos cacos do vaso que, parecendo indestrutível, a dada altura se quebrou. E nesse renovar permanente, nesse construir duma história em conjunto, conseguem olhar-se nos olhos e dizer: Amo-te! E fazer isso soar como uma coisa boa, quente, segura, credível...qualquer coisa que nos dá as boas noites e estará ali amanhã.
O amor faz parte daquilo que completa o Homem. Pode assumir diversas formas, mas se não existir é uma mutilação. Imaginem a sociedade distópica ficcionada por George Orwell no seu famoso "1984". Uma sociedade em que o amor era impossível, clandestino, subversivo, policiado irónicamente pelo Ministério do Amor, que mais do que torturar forçando confissões, tinha como última finalidade abafar qualquer resto de humanidade nos destroços humanos que libertava, por fim incapazes de dizer:
AMO-TE. 

"No meu sonho recorrente, tudo caiu e eu rastejo por baixo dos destroços, durante dias. Apercebo-me que aquele foi o terramoto que abalou o mundo inteiro, destruindo a mais pequena coisa. Mas isto não é a parte assustadora. essa vem quando estou prestes a acordar, e de repente, lembro-me que o terramoto aconteceu há anos. esta dor, este morrer aos poucos, isto é apenas normal. A vida é assim. De facto, dou-me conta de que nunca houve um terramoto. A vida é assim, e eu sou louca em esperar outra coisa."

Miranda July, No One Belongs Here More Than you

Fotos de Nicolas Dumont

39 comentários:

Talles Azigon disse...

minha flor
linda
que amo
em falar em amor
posso te deixar um presente um poema do Drummond?!:

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.
Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.

Beatriz - Jubiart disse...

Oi Flor!

Texto belo! E fotos maravilhosasssss!

Resumindo sobre o amor - não consigo viver sem ele, quando "morrer", ele viverá eternamente comigo.

Bjs e um fim de semana cheio de amor.

lolipop disse...

Queridos amigos...
Tenho que pedir desculpa a todos...só tive mesmo tempo de publicar o post...hoje o meu dia vai ser uma correria.
Logo á noite, volto como calma para ler e comentar nos blogues amigos...
Ternuras
MUITO AMOR
LOLI

orvalho do ceu disse...

Olá, minha flor
"...detalhes só visíveis quando a paixão deixa lugar ao amor."
Quanta sabedoria no que postou!!! Experiência do seu coração... post com fatos verídicos... (coisas do dia a dia de quem se ama e ama ao outro)... Muito bom!!!
Seja abençoada e feliz!
Receba meu abraço com apreço no dia de hoje.

Nilce disse...

Amar e amar sempre querida Margarida.
Não um amor desleixado, sem cumplicidade, sem gestos de carinho, sem paixão, sem perdão.
Dizer "eu te amo" é mais que o sentir, é querer o bem, mesmo que não seja conosco. É o bem estar de todo dia, o olhar envaidecido, o sonhar acordado.
Adorei a sua postagem. Parabéns!

Bjs no coração!

Nilce

Cantinho She disse...

Ei queridona que bom te ver também nessa blogagem, adorei a sua participação, texto e fotos fortes, verdadeiros, amei!
Beijo, beijo! ;)
She

Eu, Meu Contrário e Minha Alma disse...

Não gosto da palavra amo-te,
contém em si mesmo uma separação:
amo(r) de (te)...
"Amo-te" é um momento ou uma ocasião
Amor não se diz, faz-se
Faz por todo o lado
Faz-se com um olhar
um gesto de enfeitar
um carinho
uma ajuda...
Quando ela me disse uma vêz
"Amo-te" eu disse-lhe: caluda
Acho que nunca lhe disse
quanto a amava...
Mas ele sabe-o,
"à brava"
---
Juras de amor...
"quem mais jura mais mente"
Andam por ai jurando
coisas que ninguém sente...
---
Amor é
Oferecer-lhe aquele poema do Drummond de Andrade
Fazer-lhe cócegas no pé
e dar-lhe intimidade
não esperar do outro tudo
mas apenas a metade...

Ana SS disse...

Loli!

Lacan disse que "amar é dar o que não se tem a quem não o é".

Amar, então, é oferecer ao outro o impossível de si. É amar o que o outro não tem, amar a sua falta, acima de tudo.

Talvez, se vivêssemos em uma era em que o amor fosse proibido, amaríamos mais do que nunca!

Bonito post, como sempre, com fotos maravilhosas.

Carinho!

Jeff disse...

Trouxe um amor que muitas vezes é pouco falado. Vejo tristeza e dor!
É interessante, mas não o que esperava ler!
O mundo é feito de várias óticas afinal.
Até mais!!
Paz para ti!

Anónimo disse...

Olá, Margarida!

O maior obstáculo para um amor bem sucedido é que, por definição, amor é coisa que se vive a dois...E também mais fácil de ser vivido quando desligado da realidade do dia-a-dia...
A outra "verdade", é que sem ele a vida nunca fará sentido.

Beijinhos; bom fim de semana.
Vitor

manupink disse...

LINDO E ROMÂNTICO POST! AMEI-MEI-MEI!
SUA VISITINHA AO MANUPINK TB!BJS!

Denise disse...

Ai que post mais lindo, querida!
E vamos espalhar amor por aí... rs
Ótimo fds!!!
Bjinhos carinhosos

Glorinha L de Lion disse...

Minha querida Loli, passei correndo, pois estou hj às voltas com tintas e pincéis pintando uma encomenda grande...mas como diria Drummond: "Amar se aprende amando"..não tem receita ou forma certa...até porque cada um tem seu jeito de amar..às vezes nos dão tanto amor que nos sufocam, de outras o amor é meio sem jeito, parece que nem nos notam, e nesse amor tímido são capazes de morrer sem nosso amor...Pode-se dizer que um é maior que outro? Existem formas de amar...Não sei dizer-te qual a ideal, pois para amar e desamar pra mim, basta uma lágrima...beijos,

Teresa Cristina disse...

Loli, sua participação ficou forte e reflexiva, gostei muito. O amor é uma construção dinâmica e está para além das palavras. Muito obrigada por enrriquecer a blogagem com este belo post. Amanhã farei o sorteio do livro. Bjus

Ângela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ângela disse...

MINHA FLOR PREDILETA, SOU SUSPEITA PRA FALAR DE SEUS POSTS, tudo o que escreve é lindo e o que nos mostra também. Adorei o teXto, e doro também voce.
AMOR, MOLA MESTRA DA VIDA, SEM AMOR NÃO SOU NADA, E NINGUÉM.
BORBOLETAS COM AMOR.

Maria Helena disse...

Minha querida flor, há algo em você inexplicável, que transcende e que consegue arrebatar de emoções os seus seguidores(falo por mim, mas percebo um carinho especial nos comentários dos seus seguidores).
Há algo em você, resultado de uma mistura delicada de dor e amor, que lhe deu um toque de sutileza que dá um sentido especial a todas as coisas que você toca.
Há algo em você que me convence de que você é a mais pura expressão de amor.
Sou sua fã!
Bjs

Wanderley Elian Lima disse...

Olá menina
Exitem mil maneira de dizer : " Eu Te Ama", mas o maior de todos amores na maioria das vezes nem usa de palavras, é o amor de mãe, esse sim, é o único incondicional.
Bjux

Fernanda disse...

Querida Loli!

Post fabuloso em todos os aspectos, embora pouco flexível, especialmente no que concerne ao negativismo lactente do princípio ao fim.
Assim interpretei, não sei se bem... sei que não levas a mal a frontalidade.

Realmente não é fácil amar alguém toda a vida, mas é possível! Assim eu acredito!

O que acontece frequente e especialmente mais ultimamente é que se confunde paixão com amor.
Como bem sabes, o amor é o que deve surgir após a paixão, naturalmente!!! Já o estado de paixão lactente é que não dura para sempre. Diz quem sabe, que dura no máximo dois anos.
Nesse período, pouco importa a personalidade de cada um, caem as defesas e até o raciocínio.
A tendência é hiperdimensionar as qualidades e subestimar as suas falhas. A sensação pode ser de amor, mas não o é.

A desilusão é a consequência imediata.
Se não resta amor verdadeiro não fica nada.
No entanto, se e quando há amor, todas os cacos são apanhados e colados as vezes que forem necessárias.
Como se diz ... eu amo-te!
Dizendo-o sempre e essencialmente adubando-o,actuando como uma equipe em sinergia para o bem em comum.

Beijinhos sweet friend!

diariodumapsi disse...

Ei Loly!
Muito obrigado pela sua participação na blogagem coletiva.
Agora quanto ao amor romântico sou daqueles que acreditam "que seja eterno enquanto dure", alguns amores duram uma vida, outros uma hora.
Muito diferentes e impactantes essas fotos.
Mais uma vez, obrigada.
Com carinho
gilmara

M. disse...

Lindo. Os textos. Cada palavra. As fotos sáo enormes.

E tu és linda! Só podes.

Anne Lieri disse...

Que maravilhosa sua participação nessa blogagem coletiva!Mostrou o outro ângulo do amor:a parte que sofre,que adoece,que é obsecado!Adorei sua criatividade e vc escreve muito bem,menina!Bjs,

Anne Lieri disse...

Que maravilhosa sua participação nessa blogagem coletiva!Mostrou o outro ângulo do amor:a parte que sofre,que adoece,que é obsecado!Adorei sua criatividade e vc escreve muito bem,menina!Bjs,

Míriam Luiza disse...

Lindo texto e belas fotos! Parabéns!

Suziley disse...

Oi, Loli:
Bela participação. Um grande beijo, uma boa noite :)

Nicolas disse...

E ai lolipop! Ou margarida deveria dizer, aparentemente voltei a ativa, já fiz a prova e estou na espera do resultado.

Talvez volte a escrever, mas creio que ainda vou demorar um pouco, tava tecendo uns versos com sakura... Enfim tudo de bom pra ti!

Nesse meio tempo aprendi a valorizar mais a cultura espanhola da qual eu tinha certo desprezo pelo genocidio de indios e pelas derrotas constantes no campo cientifico e belico para outras potencias na idade moderna.

Pra com Portugal perdi um pouco o preconceito; graças a programas como lá e cá que tentam conciliar a cultura brasileira com a lusa. Como você deve saber, apesar do discurso oficial dizer o contrário, creio que das duas partes há muito preconceito e quase nenhum conhecimento de causa das duas culturas. Apesar do Brasil ter sido colônia portuguesa, estranhamente tentamos apagar boa parte da influência cultural portuguesa.

Iara disse...

Olá,

Adorei o seu espaço e ja estou seguindo.

Nossa hojé é o dia de dedicar nossas, palavras ao amor,
Tu fizestes com propriedade parabens pelo post.

Bjs e bom fim de semana para ti

Marli Borges disse...

Margarida,
Concordo com você, o amor tem várias faces e várias interpretações. E muitas ilações a respeito. Deus me livre ser policiada pelo Ministério do Amor de Orwell!! Amor? Que é isso? Tal palavra nem existia na novilíngua! O amor estava mortinho, sufocado. Ainda bem que somos uma sociedade viva que pode deixar o amor fluir e aflorar com toda a sua força. Bom, cuidar dessa plantinha, ah, aí e outra coisa!!!
Amei esse post.
Bjsssssss

Lívia Azzi disse...

Querida Lolipop,

Esse trecho me emocionou muito: "Mas há, felizmente, aqueles que resistem. Pacientemente regam, adubam, colam pequenos cacos do vaso que, parecendo indestrutível, a dada altura se quebrou. E nesse renovar permanente, nesse construir duma história em conjunto, conseguem olhar-se nos olhos e dizer: Amo-te!".

Juntar cacos quebrados e ter coragem para reconstruí-los é uma magnífica forma de dizer "eu te amo" através dos gestos e ações.

A citação de Florbela Espanca foi muito pertinente, lembrou-me de Nietzsche: "(...) Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou sempre odiá-lo ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder(...)"e também de Fernando Pessoa: “Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a idéia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos”.

O casco deve quebrar... o ovo precisa romper para entendermos como o amor é uma relação abismal!

Fiquei curiosa para saber mais de George Orwell, "1984". As imagens de Nicolas Dumont são chocantes e expressivamente reflexivas e artísticas!

Um grande beijo!

Ps. Desculpe só chegar agora... Alex me deu um cartão vermelho ontem por causa do computador... Queria conversar... está tudo bem.

Élys disse...

Sua participação é forte, muito bem colocada.
Creio que no amor o importante é a doação, a ternura no olhar, a vontade de ficar...
Beijos.

Valéria Bernardo disse...

A vida é assim, e eu sou louca em esperar outra coisa...que lindo e fotos lindas tb!
Parabéns pelo blog.
http://valeriajuda.blogspot.com

Carla Farinazzi disse...

Lolipop,

Me parece que há dor por trás de suas palavras... É certo que para alguns trata-se dum jogo. E quando um não jogador encontra um jogador, ele sempre perde (o que não é jogador sempre vai perder). Mesmo que não queira nem iniciar o jogo, já está perdendo. O não jogador perde todas as suas pétalas de malmequer. Tenta aprender o jogo, mas o que acontece é apenas dor.

Espero que fique melhor, querida.

Um beijo grande

O Profeta disse...

...Quem sou
Nunca me encontrei na letra de uma canção
Nunca toquei duas notas seguidas em harmonia
Mas perdi-me às vezes na ilusão

Reencontrei-me com o amor
Amargura mora sempre com a razão
Um mágico nem sempre acerta
No seu golpe de mão

Mas fiz mil tentativas nesta viola
Nenhuma nota bateu-me certa
Sou um triste e patético tocador
Desta...Melodia Incompleta...

Doce beijo

Irene Moreira disse...

Minha querida Loli

Chego aqui e claro que gosto muito de um chá e se tiver de canela ou morango é um dos meus preferidos.

Cheguei num post muito rico. Uma blogagem coletiva sobre o dizer Eu te amo.

Gostei a forma como abordastes fazendo um comparativo com vários trechos de contos do cotidiano.

Todos nós vivemos em busca ou para um amor.

Ouvi falar sobre o livro da Miranda JUly que juntou várias histórias contando sobre a busca do amor em casos de pessoas no seu dia a dia.

O amor é livre e é tão fácil se dizer Eu te amo, mas esse fácil tem que ser dito com o coração, com a verdadeira expressão do sentimento que está sentindo.

Muito boa a sua participação! Saiste do trivial que sempre se usa para falar de amor.

Beijos no seu coração

Meri Pellens disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Meri Pellens disse...

Eu não saberia viver sem amor...

Querida, venha participar do sorteio de um template que irei fazer(http://www.meripellens.com/2010/12/promocao-de-natal-relampago.html).

Beijo na alma!

Bah disse...

Que lindo! Acho que procuro às vezes definir o que é amor... o que será senti-lo novamente... eu sinto saudades do amor...

Kisu!

Paulo Becare Henrique disse...

O amor da vida real, o do dia-a-dia, é muito diferente do amor avassalador e fulminante do que Hollywood nos faz acreditar. Mas nem por isso é menos amor.

Os tempos atuais banalizaram bastante o "eu te amo", transformando-o em mera moeda de troca para os mais diversos interesses. Ao contrário do que dizem, não acredito que "o amor é cego". Acredito que o amor de verdade enxerga a realidade e a pessoa amada como ela é: com todas as suas peculiaridades, idiossincrasias e defeitos. E sabe lidar, administrar, equilibrar, enfim, CONJUGAR tudo isso. Talvez não seja por acaso que uma vida à dois chama-se "vida CONJUGAL".

Cristine Lima disse...

Oi Loli,
muito obrigada pelo comentário em meu blog. Gostei muito do seu texto. Tenho outros poemas que falam de amor. O eclipe do sol é um poema em forma de perguntas sobre este assunto fascinante...
um grande abraço... voce é sempre bem vinda, "lá em casa".

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