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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O SUICÍDIO DE MISHIMA

Antes, muito antes do body-building e da corrida aos ginásios, Yukio Mishima, o jovem frágil, dispensado por isso do serviço militar, submeteu-se a um intenso e punitivo regime de exercício num ginásio de Tóquio, para adquirir a imagem de samurai com que o identificamos ainda hoje.Talvez nessa transformação existisse o desejo, comum aos samurais, de que o guerreiro deve estar sempre preparado para a morte, não só mental como físicamente. Diz-se que Mishima, teria, cerca duma semana antes do seu suícidio ritual, contactado o mestre de tatuagens Owada Mitsuaki, com o intuito de gravar nas costas um "lion-dog" e uma "peónia", ambos símbolos particularmente queridos na cultura japonesa. Convenhamos que seria ouro sobre azul, num seppuku já de si digno de palco. Infelizmente não concretizáveis em tão curto espaço de tempo. Mishima era um admirador confesso de esculturas clássicas musculadas. Na sua casa havia uma réplica de Apolo no jardim.
A 4 de Novembro de 1970, o seu discurso às Self-Defense Forces, reunidas perante o edificio do gabinete do General Mashita, foi acompanhado pelos media.
"Eu pensei que vocês fossem guerreiros. Se assim é porque é que estão a salvaguardar uma Constituição que nega a vossa própria existência?" - Talvez Mishima tivesse antecipado a ausência de impacto das suas palavras. Talvez, como diz o seu biógrafo John Nathan, tivesse escolhido este cenário, com palco alargado. para o suícidio com que sonhava desde há muito. Mas o seu seppuku, para além da simbologia nacionalista, foi também a destruição do Narciso, no auge da beleza, antes que surgisse a decadência.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Confissões Duma Máscara

"Confissões Duma Máscara" foi o romance de cariz autobiográfico que tornou YUKIO MISHIMA famoso, aos 24 anos de idade. Mishima, que nasceu em Tóquio, em 1925, como Kimitake Hiraoka, só mais tarde adoptaria o "pen-name" pelo qual ficou conhecido. O pai, adepto da disciplina militar, não só não aprovava, como considerava afeminadas as inclinações literárias de Mishima. Protegido pela mãe, sempre a primeira a ler uma nova história, escrevia secretamente durante a noite, enquanto frequentava a Universidade de Tóquio, graduando-se em 1947. Escritor disciplinado e versátil, deixou novelas, pequenas histórias, ensaios e diversas peças para Kabuki e Noh. Foi nomeado três vezes para o Prémio Nobel da Literatura, mas nunca ganhou.
Convocado pelo Exército Imperial Japonês durante a II Guerra Mundial, foi erradamente diagnosticado com tuberculose e considerado inapto para o serviço militar. Negada a oportunidade de morrer ao serviço da pátria, Mishima decidiu transformar-se físicamente (toda a vida tinha sido um rapaz frágil), através do "body-building" e da prática de diversas artes marciais. As imagens da altura retratam-no como um Samurai.
Adoptando um nacionalismo muito próprio, foi detestado tanto por esquerdistas como pela facção "mainstream" nacionalista. Em 1968, formou o Tatenokai (Shield Society), um exército de jovens estudantes, treinados por ele próprio, que jurava proteger o Imperador. Na ideologia de Mishima, o Imperador encarnava a essência abstracta do Japão.
A 25 de Novembro de 1970, juntamente com quatro membros do Tatenokai, ocupou o quartel das Japan's Self Defense Forces e, com um manifesto preparado, dirigiu-se à varanda do edificio para falar aos soldados presentes, visando um golpe de estado que restaurasse os poderes do Imperador. O discurso não foi bem recebido. O resto é conhecido de todos. Mishima retirou-se e cometeu seppuku. A função de kaishakunin (assistente), no final do ritual, cabia ao membro do Tatekonai, Masakatsu Morita, mas Morita, depois de várias tentativas, não conseguiu levar a cabo a tarefa de decapitar Mishima, que acabou por ficar nas mãos de Hiroyasu Koga. Morita seguiu Mishima no suícidio ritual.
O biógrafo, tradutor e amigo do escritor, John Nathan, sugere que o golpe de estado teria sido apenas um pretexto para o seppuku com que Mishima sempre sonhou.
" A small night storm blows
saying "falling is the essence of a flower"...

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