Antes, muito antes do body-building e da corrida aos ginásios, Yukio Mishima, o jovem frágil, dispensado por isso do serviço militar, submeteu-se a um intenso e punitivo regime de exercício num ginásio de Tóquio, para adquirir a imagem de samurai com que o identificamos ainda hoje.Talvez nessa transformação existisse o desejo, comum aos samurais, de que o guerreiro deve estar sempre preparado para a morte, não só mental como físicamente. Diz-se que Mishima, teria, cerca duma semana antes do seu suícidio ritual, contactado o mestre de tatuagens Owada Mitsuaki, com o intuito de gravar nas costas um "lion-dog" e uma "peónia", ambos símbolos particularmente queridos na cultura japonesa. Convenhamos que seria ouro sobre azul, num seppuku já de si digno de palco. Infelizmente não concretizáveis em tão curto espaço de tempo. Mishima era um admirador confesso de esculturas clássicas musculadas. Na sua casa havia uma réplica de Apolo no jardim.
A 4 de Novembro de 1970, o seu discurso às Self-Defense Forces, reunidas perante o edificio do gabinete do General Mashita, foi acompanhado pelos media.
"Eu pensei que vocês fossem guerreiros. Se assim é porque é que estão a salvaguardar uma Constituição que nega a vossa própria existência?" - Talvez Mishima tivesse antecipado a ausência de impacto das suas palavras. Talvez, como diz o seu biógrafo John Nathan, tivesse escolhido este cenário, com palco alargado. para o suícidio com que sonhava desde há muito. Mas o seu seppuku, para além da simbologia nacionalista, foi também a destruição do Narciso, no auge da beleza, antes que surgisse a decadência.

A 4 de Novembro de 1970, o seu discurso às Self-Defense Forces, reunidas perante o edificio do gabinete do General Mashita, foi acompanhado pelos media.
"Eu pensei que vocês fossem guerreiros. Se assim é porque é que estão a salvaguardar uma Constituição que nega a vossa própria existência?" - Talvez Mishima tivesse antecipado a ausência de impacto das suas palavras. Talvez, como diz o seu biógrafo John Nathan, tivesse escolhido este cenário, com palco alargado. para o suícidio com que sonhava desde há muito. Mas o seu seppuku, para além da simbologia nacionalista, foi também a destruição do Narciso, no auge da beleza, antes que surgisse a decadência.




