domingo, 13 de junho de 2010

FALA A LENDA JAPONESA...

Hoje vou contar-vos uma lenda, tal e qual como a contou o Português WENCESLAU DE MORAES, que por sua vez a ouviu da sua cozinheira O-Yoné (a senhora Bago-de-Arroz). Aqui fica pois, "O TIRA - OLHOS E A CASTANHA"...
"Chegara o Inverno, frígido. Um tira-olhos, que fora resistindo até então, mas a custo, abrigando o corpo esguio e nu no quimérico agasalho das suas asas de gaze transparente, veio por acaso pousar num castanheiro. Então, fixando uma castanha, dirigiu-lhe, suplicante este discurso:
- "Ó senhora castanha, vossemecê, para se preservar das intempéries, usa de uma camisa junto ás carnes, por cima da camisa veste um kimono de duas consistências; e, ainda por cima traz uma capa forrada de espinhos e de pêlos. Pois tenha dó de mim, que nada possuo para abrigo senão estas asas de gaze transparente, ceda-me um dos seus vestidos..."
Responde-lhe a castanha prontamente:
-"Ora essa! Você durante todo o Verão, passou o tempo em pândegas, em voos descuidados, em amores boémios, de regato para regato, de flor para flor, sem cidar de precaver-se e de fazer alguma roupa. Eu, modestamente, sem sair do pouso onde nasci, fui tecendo e cosendo os meus vestidos, preparando-me para o frio. Pois governe-se agora como possa, meu amigo e, se tem frio...tenha paciência".
Leitor amigo: não vos parece estar ouvindo, com ligeiras modificações de pouca monta, a fábula da cigarra e da formiga? É que a moral dos povos é uma e única (...). As nossas classificações antropológicas que chamam a este individuo um Japonês, àquele um Grego, àquele outro um Português, têm apenas a importância éfemera que satisfaz num momento dado o grau das nossas concepçôes. Cada ser humano, havendo já vivido no passado imerso e sem distinção de latitudes, milhões e milhões de vidas, retém em si a impressão das múltiplas recordações das suas existências anteriores, reduzidas a qualidades de alma; o que arrebanha todos os homens num só grupo - a Humanidade (...)". 
Fonte: Fala a Lenda Japonesa, Wenceslau de Moraes

17 comentários:

Nilce disse...

Oi, Margarida

Realmente, as histórias são as mesmas para que as mensagens sejam bem ditas. Só mudam os trajes e os costumes e como vc mesma disse, só sobra a Humanidade.
Lindo post. Adorei a lenda.

Bjs no coração!

Nilce

disse...

Humanidade, um mistério em todos os tempos. Gostei muito do post, pura reflexão! Linda semana de paz!!!

Meri Pellens disse...

Perfeito! Adorei ler isso. Muito bom.
Beijos na alma!

Fernanda disse...

Olá Lolipop!

Vim da casa da Marli e como gostei do nome Lolipop, vim ver como seris a sua casa.
Sou muito cusca :))

O que encontro é uma atmosfera muito oriental, muito do meu agrado e um conto japonês que realmente bem podia ser o nosso cigarra e a formiga.

A sua reflexão está correctíssima, há os mesmos contos, provérbios, ditos populares em todo o Mundo, podem é usar outras exoressões, termos, animais, neste caso.

Estou-me a lembrar do provérbio - estar entre a espada e a parede, que se diz em Inglês - to be between a rock and a hard place.

No fundo é tal e qual como diz.
Voltarei.
Bjs.

Na casa do Rau

Marliborges disse...

Muito bOm!! A propósito, você sabia que a lenda da Cigarra e a Formiga não é mais a mesma que a gente aprendeu no passado? A moderna obedece a padrões pedagógicos diferenciados. Mas mudou pouca coisa. Bjsssss

ONG ALERTA disse...

Maravilhoso todos somos iguais, perante um ser maior, paz.
Um abraço Lisette

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Essa lenda é bem parecida mesmo com a da cigarra e a formiga. Eu não conhecia.
Deve ser interessante esse livro, pela maneira que escreve Wenceslau de Moraes.

MARIINHA disse...

Olá,
Obrigada por teres visitado a Mansarda. Serás sempre bem vinda.
Vou passar por aqui com mais tempo para conhecer o teu blogue. Um beijo

MARIINHA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ester disse...

"Quem nunca faz nada, nada nunca vai obter".
E essa é a mensagem que meu pai me passou em vida.
Ele vivia contando a lenda em frances pra mim e meus irmaos.
Essa japonesa tb é bem bonita!
bjssss

Denise disse...

Olá Margarida!
Adorei a lenda, realmente lembra da cigarra e formiga! Pra gente refletir e lembrar que temos valor naquilo que construímos, sempre...
Bjs querida!

Betty Gaeta disse...

OI Margarida,
Tira-Olhos seria uma libélula?
Qual fábula será que surgiu primeiro, a da cigarra ou esta?
Bjkas e um bom dia.

papoila disse...

Pois é, a história é igual o que só prova que somos todos muito mais parecidos do que pensamos! Para quê tanta guerra e tanto desentendimento?? No fundo todos desejamos o mesmo: a felicidade e o equilibrio!
xx

Michelle Lynn disse...

Adorei o post!! Muito bom mesmo!!

Somos seres humanos em todos os lugares, independente de etnias, religiões, culturas, seguimentos políticos...

Esta lenda só reforça que, de uma certa forma, os valores são sempre os mesmos...

Bjo grande!!!

José Sousa disse...

Olá, estive aqui lendo seu poste, gostei e continuarei a vir a seu canto. Vá ao meu "Queriaserselvagem", na página do dia 12 de Fevereiro, leia "A minha luta" e por favor dexe seu comentário. Mas se poder, seja minha seguidora e deixe seus comentários nos artigos de meus 2 blog's. Me siga que eu seguirei você. Vá para:

www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com

Felicidades e um grande abraço.

"Hamilton H. Kubo - Profundo Pensar" disse...

Olá Lolipop!

Nos presentea com pura reflexão, de fato fazemos e somos a humanidade.
E esta mostra bem as cigarras e as formigas que estão por essa vida.

De fato uma perfeita oportunidade para reaver alguns conceitos e afirmar outros mais;

Beijos!

Fabiano Mayrink disse...

Boa noite Margarida! Posso te chamar de lolipop?

Acho bonita estas fabulas, bem que vc disse, em varios lugares se tem lendas e fabulas diferentes mais pode ser que o sentido seja o mesmo, sabe gosto disso, da diversidade de culturas, adoro saber como as pessoas de diferentes lugares comem, vestem e etc, acho muito legal!

ps: sobre o seu comentario:

Eu sempre morei em apartamento e em uma avenida movimentada, mais dês de criança tive um enorme contato com algumas coisas, como ir na roça dos parentes, cuidar de vários animais como galinhas, patos, e sempre cuidei tambem de muitos bichos, como coelhos etc e etc, tenho uma minuscula area atraz do lote onde moro, minha mãe também gostava de cuidar de plantas e eu acabei me envolvendo com tudo isso, não sei tudo pois o que sei acho ate que é basico saber, normal. Você faz certo em não ter plantas se nao tem tempo para cuidar, pois acabamos por ficar “presos” em casa por conta disso tudo, responsabilidades, aguar, tratar, eu que sei... um abraço apertado!

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