quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sesson Shûkei

 Na época em que a arte do chá estava em ascensão, os generais ficavam mais felizes se recebessem como recompensa por uma vitória, uma obra de arte rara, do que uma grande parcela de terra. Muitos dos dramas favoritos Japoneses, são baseados na perda e recuperação duma celebrada obra de arte. Por exemplo, numa conhecida história, o Palácio de Lord Hosokawa, no qual estava guardada a famosa pintura de Daruma feita por Sesson, subitamente pegou fogo devido à negligência dum samurai. Este, resolvido a salvar a todo o custo a preciosa pintura, correu para o edificio em chamas e alcançou o kakemono, descobrindo depois, que todos os meios de saída estavam cortados pelo fogo. Pensando apenas na pintura, ele cortou o seu tronco com a espada, embrulhou o Sesson num pedaço da sua camisa e enfiou-o na ferida aberta. Quando o fogo finalmente se extinguiu, entre as cinzas e o fumo, encontrou -se um corpo meio consumido pelas chamas, dentro do qual repousava o tesouro intacto. Por mais horríveis que sejam estas histórias, ela ilustram o grande valor atribuído a uma obra de arte, bem como a devoção dum samurai.

 Fonte: "The Book Of Tea", Okakura Kakuzo
Imagem: "Egret, Moon and Wave", Sesson Shûkei, via Wikimedia Commons

18 comentários:

diariodumapsi disse...

Ei Loly!
Nossa que história! Forte e bela! Você, como sempre nos ensinando muito.
Gd beijo

MARIINHA disse...

Bastante trágica essa história. Mas ilustra de facto a importância dada às obras de arte. Não conheço muito sobre o Japão e o povo japonês. O que sei é através do escritor português Venceslau de Morais, que viveu no Japão. Conhece a sua obra "O Culto do Chá"? É muito interessante.
Bj

"Hamilton H. Kubo - Profundo Pensar" disse...

Agora sem palavras...
Admiro e muito os Samurais, mas desconhecia tal história.
E pelo valor a arte se sacrificara tão somente para manter a obra intacta...

Triste mas ainda assim uma linda história.

Obrigado querida amiga!!

Adoro-te.

Beijos

lu http//:minha-distraçao.blogspot.com/ disse...

Oi Margarida,realmente é forte a historia,mas que coragem teve esse Samurai imagino a dor que ele passou.
A sua idéia do presepio com musgo é fantastica.
Naruto e Sakura estão umas grcinhas.
Beijos Lu

Nicolas disse...

Eu deixava é o quadro queimar e saía correndo.

Eu admiro o povo japonês, mas por mais que essa história seja inveridica, ainda assim mostra algumas bizarrices dessa cultura. =)

Nicolas disse...

"Pois sou Portuguesa, sim. Uma Portuguesa apaixonada pelo Japão"...

A sintaxe não mente aqui! =)

Enfim, sou um brasileiro encantado pelo estado em que vivo (estado unidade federativa da nação, não governo), e sempre admirado com a capacidade criativa do povo daqui apesar de um monte de desandos.

Admiro muito as culturas orientais, nas quais acrescento em parte a Rússia. Da parte ocidental admiro por demais a França, e alguns outros países.

Mas tento valorizar antes de tudo minhas raízes, porque como diz Dostoievski, um homem que escreve sobre sua vida, seu quintal, torna-se universal.

Enquanto quando nos deslocamos de nossas raízes, tornamo-nos eternamente estrangeiros em nossa terra e na terra alheia.

Dá uma olhada: http://armandomartins.net/downloads/Armando_Martins_Janeira-O_Impacto_Portugues_sobre_a_Civilizacao_Japonesa-excertos.pdf

cantinho she disse...

Adoro os seus posts, querida, bjo, bjo!

Nilce disse...

Oi, Margarida

Tudo bem com vc?
Que história incrível, menina.
Isso sim é amor à arte!
Como sempre posts espetaculares. Parabéns!

Bjs no coração!

Nilce

Ester disse...

Loli,
tb com saudades e passei pra deixar um beijo grande em atraso!!!
esse livro desse mto bom, como vc sabe, adoro a cultura do chá!!
ciao linda!!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Sabe que houve muitas histórias parecidas nos tempos da segunda guerra? Não publiquei ainda pq talvez sejam pesadas demais... mas muitos protegeram com o corpo obras de arte importante. Sabiam q iam morrer, então resolveram salvar o que achavam q tinha valor, que deveria permanecer para a posteridade.

incrível, não?
um bj

Denise disse...

Oi Margarida!
Que história triste, o amor pela arte atravessa fronteiras e épocas remotas. Mostra que o valor sentimental pelo quadro é muito grande... esplêndido!
Bjs querida!

Talles Azigon disse...

Margarida - Flor

fiquei encantado com essa estória, pois como a visão oriental é bem diferente da nossa, nessas estórias eu vejo como a beleza é louvada, não como nos, a bom jeito oriental ^^

amei

Felipe Nasca disse...

"Extrema" é a palavra para essa história. Eu não digo que acho a atitude louvável, mas talvez sim o valor que motivou essa atitude.

Rogério Pereira disse...

No dia em que a blogosfera arder
Semelhante gesto hei-de eu fazer
para salvar esta obra de arte
que é este seu blogue...

Hoje assino-me

O verdadeiramente último dos samurais

Meri Pellens disse...

A história é mesmo dramática. Mas dá para entender pelo amor à arte.
Beijos na alma!

Betty Gaeta disse...

Oi Margarida,
Que história trágica!
Mesmo não estando nota 10, resolvi dar uma fugida para o Banzai. Fico com saudade.
Bjkas e um ótimo final de semana

Michelle Lynn disse...

Acredito que uma obra de arte expressa muito mais que uma pintura bem feita... expõe a cultura de um povo em um dado momento histórico, muitas antecedem o futuro, outras possuem valores inestimáveis para a humanidade...

Incrível a devoção do samurai por aquilo que para ele é eterno!!!

Estava com muitas saudades!!!
Bjosss grandesss,
Mi

Fernanda Reali disse...

Vim te visitar e me encantei com a história. Não sei se é mera lenda ou se aconteceu mesmo, mas achei tocante.

Bjs

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