sábado, 24 de julho de 2010

NAQUELA NOITE...SONHEI COM O BUDA

Já não é a primeira vez que falo no livro de Will Fergusson, "HOKKAIDO HIGHWAY BLUES". Para alguém interessado no Japão é uma leitura preciosa. Fala de quase tudo. Cultura, religião, arte, mitos, comida, costumes, histórias, geografia, num relato atravessado por uma certa nostalgia poética e por um humor fantástico. Ás vezes, acontece-me pegar nele e ler algumas páginas ao acaso. Gosto bastante desta passagem, e quis partilhá-la, traduzindo-a:
"Naquela noite, sonhei com o Buda.
Ele estava na berma da estrada e segurava um cartaz que dizia: Olá a toda a gente. Eu sou o Buda. Por favor não me matem. Depois, mesmo quando cheguei perto dele, partiu num pequeno Toyota.
Há um ditado Zen que diz: "Se encontrares o Buda na estrada, mata-o." Foi por ele que eu desisti do Zen. Era uma afirmação simplesmente demasiado provocativa (...).
Resmas de comentários foram escritas acerca desta frase(...). São possíveis variadissimas interpretações. As semânticas são dissecadas. Debates organizados. Argumenta-se que o Buda não é uma pessoa real mas um estado de espírito, um catalizador para a Iluminação. Se pensares que encontraste o Buda, isso não aconteceu. O Buda que podemos ver, não é o Buda real, apenas uma ilusão. Destrói-o. Outras interpretações são menos esotéricas. É o Buda que vimos na estrada e devemos matá-lo. Porquê? Porque devemos ir para além do reino dos opostos, para além lá do sujeito e objecto. Mesmo para lá do Buda.
(...) Se a vida é uma ilusão, talvez a ilusão não seja assim tão má. Talvez a ilusão seja vida. Talvez a solução seja aprender a abraçar a ilusão, aprender a aceitar o mundo transitório á nossa volta, aprender a viver entre miragens. (...)
Se encontrarem o Buda na estrada, não o matem. Continuem com o polegar no ar. Quem sabe, talvez ele vos ofereça uma boleia."

Will Fergusson, percorreu á boleia, os 3000 quilómetros que separam Cape Sata, a extremidade sul do Japão, de Cape Soya, o ponto mais extremo a norte.

13 comentários:

"Hamilton H. Kubo - Profundo Pensar" disse...

Olá querida amiga!! Adorei o texto, fiquei perplexo ao ler "matem o Buda" mas no discorrer do texto pude enfim entender.
E confesso que partilho do mesmo pensamento: "Talvez a ilusão seja a vida"...
Devemos aprender sim a viver com tudo o que nos rodeia, penso nos sonhos, se não sonharmos com algo o que mais poderemos almejar?

Beijos linda um ótimo final de semana para vc.

Te Adoro!!

Kissu

lu http//:minha-distraçao.blogspot.com/ disse...

Oi Margarida,penso que o texto quer dizer viva o hoje, vai a luta e aproveite cada minuto com sua familia ,seu amigos viva a realidade o Buda está em seu coraçao na fé de cada um.
Linda,gostei da ideia das florzinhas e da foto dos noivinhos.
Um final de semana lindo para você beijo Lu

Nilce disse...

Gostei muito do misticismo, da representação do Buda, como continuação de vida, mesmo. A representação material nos remete ao imaginário, mas muito mais real, pois trata-se de uma fé em tudo que existe e que se cultua, no que fazemos e o porquê de tudo.
Adorei, minha querida amiga.

Bjs no coração!

Nilce

Michelle Lynn disse...

Não acabe com suas ilusões, não destrua os seus sonhos. Arrisque-se!! quem sabe seus sonhos o leve para um lugar bem melhor e inesperado...
Amei o texto!!
Bjosss,
Mi

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Talvez a "realidade" seja a maior ilusão que vivemos...

tudo é transitório, a unica certeza q temos é de que temos um fim. e a gente corre, vive, faz tudo como se esse fim nunca chegasse, como se fossemos eternos seres.

que delícia percorrer o Japao de ponta a ponta.
eh um sonho q tenho rs. minha ilusao rs
bjs e bom fim de semana

Marliborges disse...

Olá amiga!
Amei o texto. Fecha com o que penso: nossos sonhos são a nossa vida e a imaginação é a própria oficina dessa vida.
Bjsssssss

Talles Azigon disse...

ai Margarida que livro mais doce e interessante, eu tenho certa vontade de sair cortando esse meu Brasil de Um ponta a outra o problema é que o Brasil é muito grande e tem muitas pontas


Não Não mataremos o Buda

Rogério Pereira disse...

Fique sabendo que o encontrei...
Caminhava na berma da estrada, sem o cartaz.
Matá-lo não fui capaz...
Como agradecimento da boleia que lhe dei,
deu-me alguma sabedoria,
mas não sei onde a deixei...

(Sempre que me sai alguma coisa de jeito é porque tinha jeito o que acabei de ler...)

Meri Pellens disse...

Já havia visto esse ditado por aí (se encontrar Buda, mate-o). Também achei estranho rs...
beijos na alma, Margarida!

Betty Gaeta disse...

Oi Margarida,
Que texto incrível!
Estou média, ainda não estou boa, mas fazer o que, morro de saudade ...
Bjkas e um ótimo sábado para vc.

papoila disse...

Ola, Margarida!
vim matar saudades...tenho andado cheia de pressa e não tenho comentado.
Quanto ao texto pensei: e se a hipótese de matar o Buda se ponha porque: só Um Buda é que consegue encontrar O OUTRO...
xx

Ricardo Calmon disse...

Na boléia da vida siempre estoy,Margarida Caríssima de campos meus de girassois,quase lúdico post teu a respeito de Buda e desse autor de ponta.
Acerca de mensagens tuas ,siempre de borboletas amalgamadas,te narro o iniciar de cotidiano meu:
Um clube frequento,em meio a floresta da tijuca,o clube dos macacos,que um portão tem,que à mata fechada me leva,trilha essa,chega a cachoeira dos primatas ,que sempre de madrugada me banho,chuvendo ou não entre todas as estações.
Quando as margens de córrego esse pairo suado e o corpo espero de transpirar cessar,o sal de pele minha,acepipe vira para borboletas azuis metálicas,com desenhos violetas fosforecentes em suas asas.
Sempre esse espetáculo participo,o palco é o meu corpo,o cenário ,a floresta,a presença de Buda,as borboletas....
De verdade,intensamente ,vivo sonho esse ,dias todos de vida minha.............te oefereço ,assim como braçadas de girassois

viva la vida,Margarida!

Fernanda disse...

Sweet Daisy!

Sei que estou em falta contigo bem como muitos outros amigos/as.
Desculpa! Já conheces a razão!!!
Pois é, o sol e o calor e a água ... e tudo aqui tão perto.

Querida, I'll treasure our encounter, don't you I have forgotten you!

Só li este teu último post. Claro que adorei, como sempre.
Contigo aprendo e sinto que temos a mesma visão da vida.
Ela é efectivamente uma ilusão que vamos tornando realidade.
Voltei a viajar e a sonhar contigo por esse Japão que tão bem conheces.

Kisses and cuddles


PS.
I've already started to read one of the books you've given me, the Caged Virgin.
I'm loving it.
Thanks again.

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