quarta-feira, 9 de junho de 2010

ORIENTE E OCIDENTE

QUIOTO, é conhecida como "a cidade dos 1000 templos", isso já seria muito, mas tem ainda mais. Conta com o número impressionante de 1600 templos Budistas, mais 400 santuários Shinto, um trio de palácios e inúmeros jardins e museus.
 De 794 a 1868, Quioto foi a capital do Japão e a residência do Imperador, acumulando durante esse tempo, uma colecção sem paralelo de templos, santuários e parques, construídos para imperadores, shoguns, geishas e monjes.
 O facto de ter sido uma das poucas cidades japonesas poupada aos bombardeamentos durante a Segunda Guerra Mundial, fez com que esse valioso património não se perdesse e com que a cidade mantivesse até hoje, aquela aura tradicional que atrai tantos visitantes.
Estive em Quioto há uns anos atrás durante poucos dias, visitei uns três templos, nenhum palácio e zero de museus. Um currículo de fazer torcer o nariz a qualquer um dos turistas convictos, calção, cantil, guias turísticos na mão, objectivas gigantes e passo absurdamente apressado pelo meio dum calor sufocante, receosos de voltar a casa sem ter esgotado o conteúdo do guia American Express.
But, who cares? Preferi demorar os olhos nos círculos misteriosos da areia branca que emoldura os jardins de pedra...
... descalçar os sapatos e caminhar silenciosa pelo soalho fresco e imaculado de salas abertas...
... observar um jardineiro no Pavilhão Dourado...
 ...ouvir o som de água a cair...
 ...perder-me nas ruas estreitas, comer gelados negros de sésamo e beber sumo de melancia encostada a uma sombra verde.
NICOLAS BOUVIER, tem nas suas THE JAPANESE CHRONICLES, uma passagem a propósito de turistas ocidentais que não resisto a traduzir:
"Kyoto,Templo de Ryoan-ji, 1964
Três senhoras americanas, sólidamente encaixadas em chapéus, coletes e máquinas fotográficas - do tipo de quem consegue digerir num dia, sem pestanejar, uma dúzia de templos, juntamente com um par de residências imperiais - foram visitar o famoso Garden of Stones, firmemente decididas a absorver a coisa numa só garfada. O jardim ( uma das mais perfeitas manifestações da estética ZEN), algumas, poucas, rochas imperfeitas escolhidas com cuidado zeloso por especialistas aí uns quinhentos anos atrás e rodeadas de areia branca. Isso e não mais. Cada elemento deste microcosmo tem um significado - o mar de nuvens, as rochas simbolizando o grou (felicidade), e a tartaruga (longevidade), etc - como uma jovem do Japan Travel Bureau explica ás senhoras. Face á perplexidade das suas clientes, acrescenta que não devemos dar muita importância a estes simbolismos, que o jardim é uma obra de arte de pura abstracção, um instrumento de meditação que permite a cada observador deixar a mente flutuar livremente.
"Mas que jardim bonitinho." dizem as três, e a mais faladora acrescenta numa voz sentenciosa, "Olhando para estes desenhos de pedra, não posso deixar de pensar em...Jesus Cristo."
Temo, como Kipling, que este Ocidente e este Oriente nunca se encontrem.
Mais tarde, no lobby do Kyoto Hotel, encontro mais duas estrangeiras, estas Francesas. Depois de duas semanas de circuitos culturais, suspeitam que os seus guias não lhes entregaram "a alma do Japão"(,,,). O que é que elas querem? (...) Nós vimos a este país magro e frugal carregando o nosso ganancioso metabolismo: o Ocidente é todo assim.
Aqui, alguém que não sirva a aprendizagem da frugalidade, está definitivamente a perder o seu tempo."

10 comentários:

"Hamilton H. Kubo - Profundo Pensar" disse...

Por isso perguntei se tinha descendência japonesa...rsrs

Fico até envergonhado, pois é aqui que aprendo de meus antepassados.

Adorei a postagem.

Beijos!

papoila disse...

Que viagem fantástica!
É dos tais sítios onde não se deve ir com pressa...
Adorei o teu post e a crónica.
Muito interessante.
xx

Wanderley Elian Lima disse...

Estou sempre por aqui vendo as novidades, e gostando.
Bjs

Nilce disse...

Margarida,

Sensacional o post como sempre.

Viajamos e conhecemos com vc tanta coisa. Muito gostoso estar por aqui sempre.

Obrigada pelo seu carinho comigo.

Bjs no coração!

Nilce

disse...

Olá minha querida amiga virtual!!! Estou um pouco atrasada, é que estou em semana de provas até o dia 21, com isso fico sem tempo, para o meu, o seu e todos os blogs que adoro ler. Nesse seu post, simplesmente viajei para dentro das fotos e dos lugares. Uma tranquilidade, que me acalmou e revitalizou. Bjossss no coração!

Michelle Lynn disse...

Adorei o post!
Conhecer outras culturas é sempre um prazer para quem gosta de arte e artesanto, além é claro, de inspirador!!
Adorei o blog tb!!
Bjoss

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Eu adoro Kyoto. Morei relativamente perto e sempre ia passear por lá.
Amo o Kinkakuji. Construido e reconstruido, está lá, sempre lindo, com seu brilho dourado.

e os jardins de Kyoto são um espetáculo.
Moro em uma cidade que tem o apelido de "Mini-Kyoto", por ter mtos elementos em comum com a antiga capital.

bjs

Denise disse...

Olá Margarida!

Sempre me fascinou o Kinkakuji, mas foi um dos lugares que não tivemos oportunidade de visitar, uma pena.

Mas com certeza estaremos visitando na próxima viagem ao Japão!

Obrigado por nos mostrar belas imagens e palavras!!!

Bjs

Cammy Redling disse...

Margarida!!!
Que lindoooo!!!
Amei as fotos e ler sobre a sua visita a este lugar tao lindo!!!
As fotos transmitem uma grande paz... imagino estar la pessoalmente entao!!!!
Deve ser uma experiencia inesquecivel!!!
LINDOO POST as always!!!
Love, Cammy

Ester disse...

Parei aqui pra ver as fotos e esse lugar é lindissimo Margarida.
Sorte sua que esteve!
O japão não é pra todo turista mesmo!!
Acabei lendo tuuuuuddiinho, menina vc tem uma bagagem enorme!! E eu não dou conta, não posso ficar aqui todo o tempo hahahaha. Olha o que vc faz!!
Eu realmente só consigo postar fim de semana, mas durante a semana vou tentar vim aqui te visitar, senão acumula, né? rsrs
Já acabei de fazer outro post la no blog, com comida de novo no meio. A propósito, sim, eu ADORO sushi!
beijinhos

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