terça-feira, 8 de junho de 2010

IZUMO NO OKUNI - AS ORIGENS DO KABUKI

Presume-se que foi em 1603, o ano em que o shogun Ieyasu Tokugawa estabeleceu a paz no país, que uma dançarina se instalou num palco ao ar livre, nas margens secas do Rio Kamo, em Quioto, e com a sua troupe de entertainers femininos, começou a dançar. Aqueles que a viram ficaram deslumbrados. Á medida que a notícia se espalhava, multidões afluíram ávidas de dança, música e belas mulheres, depois de séculos de guerra civil. IZUMO NO OKUNI  (Okuni de Izumo), era o nome da dançarina que se dizia ter sido miko (serviçal ) no Templo de Izumo, um dos mais venerados templos shintoístas do Japão.
Perante uma plateia repleta de samurais, homens, mulheres e crianças, Okuni dançava. Algumas vezes vestida de sacerdote shinto, outras parodiando um sacerdote cristão, muitas vezes vestida de homem, com um bigode pintado na cara e calças de brocado, despertando o riso e os aplausos entusiásticos da assistência. Mas os seus movimentos não eram apenas graciosos, eram também cobertos de erotismo, mesmo quando empunhava uma espada. A sua dança foi a semente do kabuki e também do mundo flutuante das cortesãs e das geishas.
A performance de Okuni e do seu bando de mulheres artistas começou a ser conhecida por kabukimono - termo empregado no sentido de "extravagante", "excêntrico".  A sua fama espalhou-se por todo o Japão e teve rápidamente as suas seguidoras - troupes de prostitutas e cortesãs exibindo danças sensuais e pequenas farsas por todas as grandes cidades. O shogunato não podia arriscar-se a permitir algo que tivesse a capacidade subversiva de perturbar a ordem pública. Quando os homens começaram a lutar entre si por causa das actrizes, as autoridades baniram (em 1628) as mulheres dos espectáculos públicos. A lei levou algum tempo a ser cumprida. Mas, em 1647, as mulheres desapareceram do palco, mantendo essa ausência durante 250 anos. O kabuki é até hoje representado apenas por homens.
Estátua de Okuni em Quioto

16 comentários:

Karen disse...

Olá!!! Obrigada pela visita e comentário no meu blog!!! Adorei o seu tb, tem mta coisa super interessante!!! bjs!

Nilce disse...

Oi, Margarida

Achei superinteressante.
É impressionante como em muitas culturas, quando a mulher começava a se destacar, tudo era feito para ela desaparecer.

Bjs no coração!

Nilce

Hamilton H. Kubo disse...

Realmente uma história pra lá de interesasnte.
Infelizmente o machismo de anos atrás ainda deixa seus resquicios em nossa sociedade.
Gostei de saber mais sobre o Kabuki.

Ah sobre o Livro, não li.
Na verdade só ouvi falar através de você.

Beijos!

Hamilton H. Kubo disse...

Me pergunto, és descendente? rsrs

Beijos!

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

Adoro estes teus textos. Aprendo sempre qualquer coisa :)

MikMary disse...

Acho que o kabuki é como a ópera ou se gosta ou não.
Na minha viagem (de sonho) ao Japão é algo a não perder.
Um abraço

MikMary

Meri Pellens disse...

Nossa! Também não me admiro da proibição para aquele século, mas hoje ainda ser representada só por homens é estranho.
Beijos na alma, querida.

andreia inoue disse...

ja vi um teatro de kabuki,antigamente as familias muito ricas tinham um teatro em suas propriedades.
E pena que ainda hj so seja apresentada por homens.
um beijao.

disse...

Olá Margarida, você sabe qual a opinião das mulheres da atualidade? Elas gostariam de representar ou se sentem constrangida pelas origens? Ou seria uma quebra de tradição essa mudança na atualidade? Desculpa, é que deu uma curiosidade. Bjoss

Betty Gaeta disse...

Adoro Kabuki, mas não sabia a história de sua origem. Muito interessante.
Bjkas e um ótimo dia para vc.

Denise disse...

Que linda história, mais uma vez nos agradando em cheio!
Bjos!

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Adoro show de kabuki.
Acho lindo.
Sei que é tradição...mas bem que o kabuki poderia se abrir para as mulheres, pq não?

Izumo no Okuni, uma figura quase mitológica da história da arte no Japão. Excelente seu post.

Margarida, desculpe a demora em comentar. às vezes ando em uma correria, que mal me sobra tempo pra respirar rs... até o post de hj, já estava pronto há tempos e usei como coringa rs...

mas saiba q sempre virei aqui pq gosto muito do seu blog e da sua pessoa!

bom dia bjs

Hamilton H. Kubo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Felipe Nasca disse...

Linda essa história!!

E obrigado pelas visitas constantes e comentários lá no Meio Cozido, me deixa sempre muito feliz!

Tudo de bom!! ^^V

Marliborges disse...

olá!!! Obrigada pelo comentário em meu blog. Gostei muitissimo. Pode continuar, rsrs!!!

"...nada de novo debaixo do sol" termina-se com as doenças matando os doentes. Eles começaram a brigar e elas é que pagaram o pato!! Eu já conhecia a história do Kabuki e, quando aprofundei mais o conhecimento, acabei até me desinteressando, pois desagradam-me essas repressões tão sem fundamentos. Imagino que essa dança deveria ter sido bem interessante quando executada por mulheres, a ponto de causar tal celeuma. Ótimo post. Bjsss

alexsmesquita disse...

Muito bom seu post!
Gosto muito de um jogo chamado Samurai Warriors (http://samuraiwarriors2.co.uk/), o qual ilustra o período Sengoku ao período Edo, no Japão.
Okuni é um dos meus personagens favoritos e é sempre encontrar fontes de onde se originaram os personagens.

Obrigado.
=)

Alex

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