domingo, 3 de janeiro de 2010

"TOKYO VICE" - JAPAN`S DARK SIDE

Um dos principais ramos da Yakuza ( mafia japonesa), o Yamaguchi-gumi, promoveu, como habitualmente, em Kobe, uma festa de Natal em que para além da distribuição habitual de brinquedos e "mochi"- bolinhos de arroz, foram este ano entregues envelopes com dinheiro assinados pelas duas figuras de topo na organização, uma delas cumprindo pena neste momento. A generosa oferta visa, segundo a polícia local, "amaciar" a opinião pública. O assunto foi notícia na imprensa e na blogosfera japonesas e trouxe-me à memória a leitura recente do livro de Jake Adelstein. "TOKYO VICE". Adelstein, que estudou na Sofia University no Japão, em 1992, apresentou-se como candidato às provas para admissão no YUMIURI SHIMBUN, um dos mais prestigiados jornais japoneses, e foi o primeiro americano a ser contratado como jornalista numa base efectiva. Durante doze anos, fez a cobertura de tudo o que dizia respeito ao mundo do crime, até que isso o levou a uma investigação que envolvia uma figura demasiado importante da Yakuza. As ameaças que sofreu, estenderam-se à família e aos amigos, esteve sobre protecção policial, abandonou o emprego e regressou aos Estados Unidos, mas não conseguiu esquecer. Voltou sózinho, reuniu provas suficientes e publicou um livro em que narra de forma cativante, uma viagem através dum mundo sombrio de gangsters, tráfico sexual, psicopatas, jogos de poder e influência, mas fala também de amizade, de pequenos episódios do dia a dia, da complexa sociedade nipónica. O livro, que tem recebido as melhores críticas e já vai na terceira edição, ainda não foi publicado em versão japonesa.
Jake Adelstein, que quando se descalçava para entrar numa casa japonesa, se destacava por nunca calçar meias da mesma cor, e que seguiu o preceito japonês -"To ask may bring momentary shame, but not to ask and remain ignorant brings everlasting shame"- conseguiu comprometer um gang-boss poderoso, num percurso perigoso, em que perdeu uma amiga e chegou a pensar no suicidio.
O Yamaguchi-gumi conta, de acordo com estimativas policiais, com 40.000 membros. O Goto-gumi, um ramo do Yamaguchi, chefiado por Goto Tadamasa, foi o alvo de Adelstein.
Foi Goto, diz-se, o mandatário dum brutal espancamento ao realizador Juzo Itami, por não ter gostado do retrato da Yakuza, apresentado por este no filme Mimbo no onna. Juzo Itami sobreviveu e tornou-se numa voz incómoda para o crime organizado. Poucos anos mais tarde, em circunstâncias pouco claras, alegadamente suicidou-se atirando-se do alto dum arranha-céus.
Adelstein, trabalha actualmente num projecto que tem a sua base em Washington, o Polaris Project Japan, uma organização que combate o tráfico e a exploração sexual de mulheres e crianças.

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