sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O MANUAL DO SUÍCIDIO

Os japoneses acreditam que há um modo certo para viver, para amar, para proporcionar orgasmos, para descalçar os sapatos, para inclinar a cabeça num cumprimento e mesmo para cometer suicídio. Essa reverência pelo caminho perfeito reflecte-se num gosto particular pelos manuais. Pelo sim, pelo não, mais vale fazer as coisas literalmente "by the book". Na Amazon Japan, onde se podem encontrar à venda uns milhares de manuais, muitos deles passam semanas no topo das tabelas de vendas. E encontram-se para todos os gostos, desde "The Manual of Superorgasmic Fellatio and Cunnilingus- with over 400 Photos" até ao famoso The Complete Manual of Suicide. Este último, publicado em 1993, tornou-se num best-seller de culto no Japão, vendendo rápidamente mais de um milhão de cópias. Num tom claro, prático e não moralista, o autor, WATARU TSURUMI, cobre em 198 páginas, todos os prós e contras dos onze meios apresentados para pôr fim à vida. "It is the right of every individual to kill themselves (...)" afirmou TSURUMI numa entrevista.
No Japão, o suícidio, foi visto desde sempre como uma forma corajosa e honrosa de expressar lealdade face a alguém ou algo, ou renunciar a uma vida de culpa ou fracasso.
Há inúmeras narrativas de samurais ou apaixonados que preferiram terminar as suas vidas, antes de pôr em risco os interesses da comunidade ou violar as suas regras.
O biógrafo de Yukio Mishima, sugere que a sua tentativa de golpe para restaurar os poderes do Imperador, em 1970, teria sido apenas um pretexto para a prática de seppuku, o suicidio ritual com que sempre sonhou.
Apesar de nuances mais recentes, a ideologia do suicidio, isto é, a beleza da morte voluntária, que implica de algum modo o controle do destino próprio, ainda assume no Reino do Crisântemo uma aura de romantismo.

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