segunda-feira, 1 de novembro de 2010

POEMAS DE AMOR DO MAN'YÔSHÛ

O MAN'YÔSHÛ, é a primeira antologia de poesia Japonesa, e é considerada por muitos, uma das mais importantes de sempre, no que toca à poesia lírica.. Dela constam cerca de 4500 poemas, datados dos séculos VII e VIII, o Período Nara, idade de ouro da cultura nipónica. Muitos dos poemas pertencem á categoria de sômon (trocas pessoais), e foram escritos com as trinta e uma sílabas que caracterizam o tanka.
É importante perceber, que nessa época, a distinção entre o pré e o pós nupcial, não era nítida como na era actual. Não havia cerimónias nem banquetes, e os casamentos assumiam a curiosa forma de "visita à esposa", sendo o amor e a paixão os únicos a ditar as regras. A monogamia não era considerada requisito essencial, e o amor "extra-matrimonial" era cantado sem o mínimo sinal de culpa.
Do MAN'YÔSHÛ, só tenho uma selecção (em Inglês) de algumas dessas "trocas pessoais", reveladoras do eros e do pathos desses amantes que viveram no primeiro período florescente da sofisticada cultura Japonesa.
As I stay here yearning
while I wait for you my lord,
the autumn wind blows
swaying the bamboo blinds
of my lodging.

Princess Nukata

Enquanto eu aqui anseio
esperando pelo meu senhor
o vento de Outono sopra
balançando as persianas de bambú
do meu quarto.

Princesa Nukata
The silk-tree flower that blooms in the day
close as it sleeps,
yearning through the night.
Should only its lord look upon it?
You too, my vassal, enjoy the sight.

Lady Ki

A flor da árvore da seda que desabrocha de dia
fecha-se enquanto dorme
ansiando durante a noite.
Deverá apenas o seu senhor olhá-la?
Tu também, meu vassalo, desfruta a sua visão.

Lady Ki
I stay here waiting for him
in the autumn wind my sash untied,
wondering, is he coming now,
is he coming now?
And the moon is low in the sky.

Ôtomo Yakamoshi

Eu estou aqui esperando por ele
o meu cinto desapertado
perguntando-me, será que ele vem agora,
será que ele vem agora?
E a lua está baixa no céu.

Ôtomo Yakamagoshi

in  Love Songs from the Man'yôshû, ilustrações de Miyata Masayuki

33 comentários:

Tia Ném disse...

Margarida, que lindo Poema! Adoro Literatura, de outras culturas mais ainda. É muito bom termos vontade aprender mais e mais, não é mesmo? Eu sou assim...

Amiga, andei sumidinha devido à cirurgia que fiz... agora, estou voltando... para blogosfera maravilhosa!kkkk.
Adorei o Post!
Bjos: Tia Ném.

Rogério Pereira disse...

Que prazer
ser
tratado
por
senhor
em
poemas
de amor
(as ilustrações são muito belas...)

Lívia Azzi disse...

Essa coleção de 4500 poemas escritos com as trinta e uma sílabas pareceu-me bastante intrigante.

Li um artigo muito interessante que adverte que o excesso de realidade entristece... Talvez, a idéia dessa antologia na época, fosse conferir suavidade e um pouco de ilusão ao amor cortesão.

E já que o excesso de realismo não é lá muito saudável e o autoengano é fundamental para a sobrevivência, lembrei-me de Michel Lacroix, que afirma que "é de lirismo verdadeiro que precisamos, não de adrenalina". Pois bem, acho que se pensarmos bem, essa tensão toda provocada pela realidade pode ser muito bem enquadrada na segunda categoria.

Para vivenciarmos bem o lirismo, precisamos de ter sensibilidade. E você querida Loli, sabe provocar muito bem a emoção necessária para apreciarmos tanto a arte, quanto a vida.


“A flor da árvore da seda que desabrocha de dia fecha-se enquanto dorme ansiando”

Hoje temos mais possibilidades de invenções e podemos pensar no amor como um direcionamento ao outro, temos a consciência de nos lançar sem se perder. Sabemos que não existe “cara metade” ou “alma gêmea”, mas sabemos que existem afinidades e conexões.

Um beijo e uma linda semana!

Marli Borges disse...

Ai que lindo Margarida! Somente as regras do amor e da paixão! Quem diria hein, o mundo dá muitas voltas!!
Os poemas são mesmo calientes. Adoro tanka. Beleza!!!
Bjssssss

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

nessas épocas nem o homossexualismo era algo estranho. mesmo entre os samurais era comum que os superiores fossem pra cama com seus subordinados, etc, como laços de amizade e afeto.

a sexualidade começou a ser "mal vista" no séc. XVI, com a chegada do catolicismo, as religiões ocidentais... que se horrorizaram com o "japão selvagem" rs

eita menina de cultura essa Margarida!
boa semana pra vc!

disse...

Provocantes no mínimo. Consigo perceber ainda uma certa ansiedade, carência. Uma espera incerta...
Fiquei preocupada com nossa amiga, qualquer novidade me avise, por favor. Bjoss

hiromon disse...

万葉集
額田王の歌

熟田津に船乗りせむと月待てば潮もかなひぬ今は漕ぎ出でな

三諸の山見つつゆけ我が背子がい立たせりけむ厳橿が本

あかねさす紫野行き標野行き野守は見ずや君が袖振る

J.Ferreira disse...

Só mentes abertas como essas, podiam gerar tão sublimes poemas.
é mesmo uma cultura muito especial, ainda hoje.
Grato pelas palavras e imagens tão belas.
Abraço do
JF

Wanderley Elian Lima disse...

Adoderi o post, mas uma coisa em especial me chamou a atenção: a forma de tratamento "Senhor", dada ao homem amado.
Bjux

Denise disse...

Oi flor!
Lindo poemas, ilustrações perfeitas!
Para se inspirar e aflorar a sensibilidade de uma forma explícita, verdadeira...
Beijo grande!

Denise disse...

Oi flor!
Lindo poemas, ilustrações perfeitas!
Para se inspirar e aflorar a sensibilidade de uma forma explícita, verdadeira...
Beijo grande!

Denise disse...

Oi flor!
Lindo poemas, ilustrações perfeitas!
Para se inspirar e aflorar a sensibilidade de uma forma explícita, verdadeira...
Beijo grande!

ONG ALERTA disse...

Maravilhoso e que aprndizado nos transmite, beijo Lisette.

Carla Nunes disse...

Massa! Eu conheço muito pouco da cultura/literatura oriental, acho que praticamente nada, mas ela é rica, quero conhecer!!! Bjo!

Anónimo disse...

A polícia federal tem um site onde denúncias de crime de internet pode ser investigada o link é este aqui:

http://www.serasaexperian.com.br/guiainternet/51.htm

Sentiu-se lesada por esta história toda De Anne e Edu,entre e denuncie,vamos deixar nas mãos da justiça e esperar que esta história toda seja esclarecida.

"quicas" (joaquim do carmo) disse...

Outras culturas, outras gentes, os mesmos sentimentos, porém!
Sempre que se dá largas ao que o coração sente, todas as barreiras caem, persistindo apenas a chama que a paixão não deixa apagar.
Muito interessante seu post, divulgando outras formas poéticas igualmente encantadoras. Obrigado pela partilha.
Beijinho

Meri Pellens disse...

Olá, Margarida!
Lindo esse poema. Gostei muito também das imagens. Beijos na alma!

Ricardo Calmon disse...

Holla Margarida de campos meus de girassois,lendo jóias tuas em cultura e literária forma,arrecado energia e luzes, para que energizem campos meus de girassois e minha inspiração,pela vida e pelo amor

smaaackkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkks

viva la vieeeeeeeeeeeeeeeeee

diariodumapsi disse...

Ei Loly!
4500 poemas? Quantos não? Devem ser bem interessantes.
Os que você postou são bem sensuais. E as pinturas então?
Lindas.
te desejo uma semana iluminada.
Gd beijo

Cantinho She disse...

É sempre uma maravilha vir aqui, é um banho de cultura, adorei o post, e as imagens, bem, as coisas mudaram bastante com o tempo, ou não...rs ;)
Beijo, beijo!
She

PS: Querida Margarida que bom que gostou de meu post e homenagem aos meus avós, obrigada, e por sua mãe, sinto muito, realmente a doença é muito marcante... bjks!

Maria Helena disse...

Olá, minha querida!
Que postagem maravilhosa! E as ilustrações dão um toque especial e nos leva nas asas da imaginaçõa.
A literatura oriental é fascinante!
Beijão!

Vanuza Pantaleão disse...

Magnifíca postagem, amiga!
Você bem sabe o quanto admiro e curto a cultura nipônica.
Parabéns e uma inspirada semana!Bjs
[as imagens são sensacionais]

Fernanda disse...

Querida Loli!

Não me esqueci de ti!!!
Só estou atrasada, desculpa.

Este é um daqueles posts que nunca esquecerei.
Pela sua extrema beleza; nas palavras ditas, nos poemas fabulosos, nas imagens deslumbrantes, e sobretudo pela ausência dos "preconceitos castrantes" tanto à imagem que eu tenho do Oriente.
LINDO!
Obrigada sweetie!
Beijos

Nilce disse...

Menina, você se supera mesmo.
Quanta coisa interessante para nós pobres ocidentais. rsrs
Lindas as gravuras e os textos de uma demonstração de paixão sem posse.
Gostei do comentário do Ale também, me serviu de complemento.
Adoro vcs.

Bjs no coração!

Nilce

PS: Obrigada pelos e-mails. Nem postei para poder por as leituras dos blogs e emails em dia, e faltam muitos ainda. Bjs

Bah disse...

Essas imagens me lembraram o futon que minha batian tinha guardado na casa dela rs..

Kisu!

Vitor Chuva disse...

Olá, Margarida!

Olhando os "aparentemente circunspectos e frios Nipónicos", todos estes poemas de amor e desejo de entrega aparecem quase como que o afastar das persianas de bambu,e o deixar-nos espreitar, curiosos, para o que está por detrás dos mesmos.
As fotos condizem lindamente com o texto; são muito bonitas.

Beijinhos.
Vitor

Lu Nogfer disse...

Oi Loli!

Menina!Não sei o que achei mais:Se lindissimo ou interessantíssimo!
Nossa,acho que na mesma intensidade!

Seus posts sempre me deixam assim:sem muitas palavras!
Sao puras artes!
Amei!

Beijos,minha flor!

Ate mais!

Desabafando disse...

Adorei as poesias e as imagens!

Margot Félix disse...

Blog lindíssimo. Virei aqui mais vezes!

Saudações poéticas,
Margot Félix.

Cantinho She disse...

Queridaaaaaa adorei o seu comentário! Muita merda pra gente, sim...hehe

Sabe, eu já ouvi falar nessa expressão em inglês sim, mas não sei a origem, claro que fiquei curiosa e corri atrás no novo pai dos burros do século (Google) e não encontrei nada... :(

Fiquei curiosa... hehe

Beijo, beijo!
She

Irene Moreira disse...

Muito lindo! Os poemas, as imagens e essa cultura e tradição que me fascina.

Beijos e uma linda semana

pensandoemfamilia disse...

Muito interessante conhecer outras formas de cultura."somente as regras do amor e da paixão. Deveras muito curioso este ítem.
bjs

Paulo Becare Henrique disse...

Belíssimas poesias, belíssimos textos, belíssimas ilustrações... enfim, belíssima arte.

"(...) sendo o amor e a paixão os únicos a ditar as regras. A monogamia não era considerada requisito essencial, e o amor "extra-matrimonial" era cantado sem o mínimo sinal de culpa. (...)"

Interessante...

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