sexta-feira, 7 de maio de 2010

HARUKI MURAKAMI & JAZZ

"Trabalhei muito, poupei o meu dinheiro, pedi emprestada uma grande quantia a amigos e familiares, e pouco depois de deixar a Universidade abri um pequeno clube de jazz em Tóquio. Servíamos café durante o dia e bebidas á noite. Também servíamos alguns pratos simples. Tínhamos sempre discos a passar, e jovens músicos a tocar jazz ao vivo nos fins de semana. Mantive isto durante sete anos. Porquê? Por uma simples razão: permitia-me ouvir jazz desde manhã até á noite.
Tive o meu primeiro encontro com o jazz em 1964, quando tinha 15 anos. Art Blakey e os Jazz Messengers, actuaram em Kobe, em Janeiro desse ano, e deram-me um bilhete como prenda de aniversário. Foi a primeira vez em que realmente ouvi jazz (...). A banda era simplesmente fantástica: Wayne Shorter no "tenor sax", Freddie Hubbard no trompete, Curtis Fuller no trombone e Art Blakey a liderar com o seu sólido e imaginativo "drumming". Penso que foram uma das mais fortes ligações na história do jazz. Eu nunca tinha ouvido música mais espantosa (...)."
Estas são palavras de Haruki Murakami, numa tradução minha, extraída dum ensaio publicado pelo The New York Times em Julho de 2007.
Todos os leitores de Murakami sabem que este mítico clube existiu, que se chamava Peter Cat, e ficava na zona de Sendagaya em Tóquio. Em baixo, uma foto do escritor no Peter Cat, em 1978.
Esse edificio ainda existe, com um restaurante e café, a ocupar o antigo lugar do clube de jazz.
Foi aqui que Murakami, teria, no seu tempo livre, escrito as suas duas primeiras histórias: Hear the Wind Sing e Pinball 1973.
Muitos anos depois, em Boston, num jantar com o pianista de jazz Danilo Pérez, Murakami conta-lhe a história do primeiro concerto de jazz a que assistiu. Pérez pegou no seu telemóvel e perguntou-lhe:
- "Would you like to talk to Wayne, Haruki?"
"A vida é tão estranha, nunca sabemos o que vai acontecer. Aqui estou eu, 42 anos depois, a escrever romances, a viver em Boston e a falar com o Wayne Shorter num telemóvel. Nunca poderia ter imaginado isto."

1 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Bem q o clube de jazz poderia ter continuado. Fecharam algumas casas boas de Jazz por aqui... ainda bem q a Blue Note segue firme.
Interessante essa história, não conhecia!

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