domingo, 28 de março de 2010

DARUMA

Daruma, o sábio indiano que viveu no século V ou VI da nossa era cristã, é considerado o Pai do Budismo Zen, que foi espalhando pela China, muitos séculos antes deste florescer no Japão. Muitas lendas se contam a seu respeito, a mais conhecida é a de que terá atingido a iluminação (satori), depois de meditar numa gruta durante sete anos sem fechar os olhos ou sequer pestanejar.

Tantos foram os anos em que permaneceu imóvel que os braços e as pernas se lhe gastaram. E é assim, só com a cabeça e com o tronco, envolto num manto carmesim, que ainda hoje é figurado.

Consta ainda que, em certa noite, durante a sua meditação, as pálpebras se lhe terão fechado de cansaço, e o bom Daruma deixou-se adormecer. Quando acordou, indignado por tal ter acontecido, pediu a alguém um instrumento, com o qual cortou as pálpebras, atirando-as ao solo, onde estas, por milagre enraizaram, dando lugar a um gracioso arbusto, nunca visto. As folhas dessa planta, postas de infusão em água quente, revelaram-se remédio óptimo contra o sono e o cansaço. Estava conhecido o chá, "que é coisa santa, como se acaba de provar".

Hoje, no Japão, os sempre-em-pé, representando Daruma, são vendidos como amuletos. Vêm com os olhos em branco, para que se pinte um deles quando se pedir um desejo, e o outro quando este for realizado.

Fonte: Wenceslau de Moraes, Fala a Lenda Japonesa

1 comentários:

migasmigas disse...

Mais um artigo delicioso.

E é muito engraçado o Daruma vir com os olhos por pintar, eu é que não posso tentar pintar um deles, senão a cara do pobre Daruma desaparecia num borrão intantâneo.

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