sábado, 27 de fevereiro de 2010

BURAKUMIN - A Minoria Inexistente


Foi no livro de Michael Crichton, "RISING SUN", que ouvi falar pela primeira vez nos burakumin, através da voz de uma personagem, um tanto amarga face à sua infância discriminada no Japão, por ser filha de um Americano negro e duma Japonesa. Theresa Asakuma questiona a certa altura alguém: "You know what burakumin are? No? I am not surprised. In Japan, the land where everyone is supposedly equal, no one speaks of burakumin. But before a marriage, a young's man family will check the family history of the bride, to be sure there are no burakumin in the past. The bride's family will do the same. And if there is any doubt, the marriage will not occur. The burakumin are the untouchables of Japan. The outcasts, the lowest of the low. They are descendants of tanners and leather workers, which in Buddhism is unclean."
Depois disto, apesar do Banzai ainda não existir na altura, pesquisei alguma coisa na net. Fiquei a saber que não se tratava de ficção. No Japão medieval vigorava um sistema de castas e os burakumin ocupavam a posição mais baixa na hierarquia social. Tinham funções consideradas impuras: executavam criminosos, trabalhavam em couro ou eram açougueiros. Viviam em guetos especificos e não podiam frequentar determinados Templos. Sendo o sistema feudal hereditário, o estigma social do grupo perpetuava-se. E, por incrível que pareça, foi-se perpetuando até hoje. Uma discriminação assente em preconceitos religiosos. A sociedade Budista, aprendeu a comer carne, mas não a aceitar aqueles que a processam. Nos anos 80, uma lista negra de 600 páginas, contendo dados sobre comunidades de burakumin, circulou entre empresas e corporações. A lista teria sido mais tarde suprimida, mas o sistema de dados públicos no Japão é extensivo e muito completo.
Os burakumin são como fantasmas no Japão. Pura e simplesmente não existentes.Tentei perguntar o que eram a uma amiga Japonesa, que, revirou os olhos e me respondeu com o usual "eto" (é uma espécie de interjeição que não quer dizer absolutamente nada). Quando insisti, numa outra ocasião, remeteu-me para uma outra pessoa presente, que depois de muitos "etos" me respondeu: "Buraku are...sort of beggers."
As fotos são de Masaru Goto, da exposição "Nihonjin, Burakumin: Portraits of Japan's outcast people".

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